Redes ganham consumidor com itens de marca própria

Nos últimos meses, a supervisora Ana Cristina Bassani Moura vai às compras no supermercado disposta a experimentar novidades. Não está atrás de lançamentos de marcas conhecidas, mas à procura de produtos básicos, que trazem estampada nas embalagens apenas a marca do supermercado. Voltar para casa com carrinho cheio de itens de marca própria tem significado economia de 15% na despesa mensal de Ana Cristina com alimentos e produtos de limpeza e higiene. O interesse crescente do consumidor pelos produtos de marcas próprias, 10% a 30% mais baratos em relação à líder de vendas, está registrado nos resultados das grandes redes de supermercados. No primeiro semestre, as marcas próprias no Grupo Pão de Açúcar cresceram 119% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto seu maior concorrente, o Carrefour, comemorou aumento de 150% nas vendas destes produtos, graças a uma campanha promocional de 11 dias. "Nunca o consumidor esteve tão aberto à experimentação e à troca de marcas ", diz o diretor de marcas próprias do Pão de Açúcar, Rodolpho de Freitas. As redes investem pesado em suas marcas numa "guerra" de promoções. O Comprebem Barateiro, do Pão de Açúcar, começa neste fim de semana um festival com 600 itens de marca própria. O Wal-Mart, outro gigante do setor, anuncia neste fim de semana um festival de produtos com suas marcas Great Value e Mais por Menos com 500 itens - 30% a 50% mais baratos. Mas a desconfiança em relação à qualidade existe e é freqüente o consumidor resistir a experimentar produtos em determinadas categorias. "Compro marca própria de produtos de limpeza e de alguns alimentos. Mas não dispenso o arroz Tio João, o sabão Omo e a bolacha Tostines", diz a microempresária Claudia Benedetti, que na sexta-feira colocava em seu carrinho, "para experimentar", três litros de leite da marca Carrefour.

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