Redes hoteleiras ainda enxergam futuro enigmático no setor após fim da pandemia

Redes hoteleiras ainda enxergam futuro enigmático no setor após fim da pandemia

Viagens de negócio em queda e dificuldade para encontrar trabalhadores são apenas alguns dos problemas do setor

Jane L. Levere. The New York Times, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2021 | 05h00

À medida que as viagens são retomadas em meio a sinais de que a pandemia está perdendo força, o setor hoteleiro espera que sua sorte também aumente. Mas, até agora, não está claro quando esse momento chegará – ou se algumas das mudanças que precisaram ser realizadas se tornarão permanentes.

Os hotéis têm tido dificuldades com a escassez de mão de obra, por exemplo, o que obrigou alguns a fechar completamente e outros a reduzir os serviços – como limpeza diária dos quartos e horários de funcionamento dos restaurantes.

Dada a incerteza quanto ao retorno desses trabalhadores algum dia, um especialista do setor prevê que os robôs assumirão algumas das tarefas realizadas anteriormente por pessoas que encontraram empregos com melhores salários em outros lugares.

Os hotéis também estão testando maneiras de aumentar a receita – por exemplo, cobrando taxas extras por alguns serviços, reduzindo programas de recompensas e adicionando regalias para atrair os hóspedes de longa permanência que podem “trabalhar de qualquer lugar”.

O efeito da pandemia no setor tem sido, na melhor das hipóteses, desigual, com cidades dos Estados Unidos, como Nova York, entre as mais atingidas. Um vislumbre de esperança: o governo Biden anunciou que abrirá as fronteiras dos EUA em novembro para viajantes vacinados de alguns países, como Canadá e México.

Na China, as viagens foram muito afetadas pelos lockdowns relacionados à covid-19, e as baixas taxas de vacinação na África diminuíram as viagens internacionais para lá, alertou Jan Freitag, diretor nacional de análise do mercado de hospitalidade do CoStar Group.

Michael Bellisario, analista de hospedagem da Robert W. Baird & Co., disse, na primeira semana de outubro, que 20% dos quartos de hotéis na área metropolitana de Nova York permanecem fechados, embora existam sinais de melhora.

O Grand Hyatt New York, em Manhattan, que fechou na primavera de 2020, estava se programado para reabrir ontem, sob o novo nome de Hyatt Grand Central New York, enquanto o New York Hilton Midtown, fechado desde março de 2020, reabriu em 4 de outubro; ambos são os favoritos das convenções. O Hotel Four Seasons New York, em Manhattan, está fechado desde o verão de 2020 e não deve reabrir antes da primavera do hemisfério norte.

Uma mudança óbvia que provavelmente permanecerá, especialmente em hotéis de três e de quatro estrelas, é uma redução nos serviços oferecidos aos hóspedes.

Salários baixos.

Quando foram chamados de volta para trabalhar, os funcionários muitas vezes optaram por não voltar aos empregos que costumavam pagar um salário mínimo.

Muitos encontraram trabalhos com melhores salários, carga horária e benefícios em empresas como Amazon, Walmart e Home Depot. A impossibilidade de contratar trabalhadores sazonais de fora dos EUA também está agravando a escassez de mão de obra nos resorts dos EUA, segundo Freitag. Da mesma forma, o número de funcionários treinados para trabalhar em hotéis no Reino Unido foi afetado pelas restrições aos imigrantes impostas pelo Brexit.

Essa escassez de mão de obra tem um efeito na experiência do hóspede, desde filas longas para realizar o check-in até reduções na limpeza diária dos quartos.

O Hilton, por exemplo, anunciou em um comunicado em julho que o serviço de limpeza gratuito estaria disponível apenas por solicitação em seus hotéis de três e quatro estrelas.

Não está claro se as mudanças na frequência dos serviços de limpeza serão duradouras. Seja como for, Henry Harteveldt, presidente do Atmosphere Research Group, empresa de pesquisa de marketing de viagens, espera que os hotéis se tornem cada vez mais dependentes de robôs, que podem higienizar os quartos dos hóspedes e preparar cafés ou saladas nas cozinhas, ajudando os hotéis a compensar a falta de trabalhadores e reduzindo os custos.

Uma das maneiras pelas quais os hotéis podem melhorar sua escassez de mão de obra é oferecer salários mais altos aos futuros trabalhadores. Porém, Patrick Scholes, analista de hospedagem da Truist Securities, disse que isso também exigiria o aumento dos salários dos funcionários que já estão atuando em cargos semelhantes. Para fazer as duas coisas e manter as margens de lucro, os donos de hotéis teriam que aumentar os preços dos quartos – uma medida que reduziria a demanda, principalmente em hotéis urbanos, na situação atual.

Aumentar os preços provavelmente diminuiria ainda mais a demanda entre os viajantes afastados pela queda de serviços – problema que Bellisario chamou de “beco sem saída” para o qual “não há resposta”.

Outra frente sombria: viagens a trabalho. Com tantos negócios sendo realizados por meio de videochamadas, o volume desse tipo de viagem diminuiu drasticamente, principalmente em hotéis urbanos. Bill Gates previu, no ano passado, que metade de todas as viagens de negócios não serão retomadas.

Freitag disse que os executivos provavelmente “vão reavaliar” as despesas com viagens e cortar onde for possível. 

TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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