Redução da mistura do etanol divide representantes do setor

Para Datagro, medida não trará alívio na oferta de produto; Unica diz que ela dará segurança ao consumidor

Eduardo Magossi e Gustavo Porto, da Agência Estado

11 Janeiro 2010 | 19h14

A redução do porcentual de anidro na gasolina de 25% para 20% não vai trazer um alívio na oferta de produto, de acordo com o presidente da Datagro, Plínio Nastari. O consultor acredita que a decisão tenha um viés mais político do que prática. Segundo ele, a redução do consumo será de 108 milhões de litros por mês. "A decisão não se justiça em questões de abastecimento porque não há risco de desabastecimento. A motivação provavelmente deve estar relacionada a preocupações ligadas à diminuição de pressão por demanda de etanol, o que tem levado a preços crescentes do anidro e hidratado", disse. Para Nastari, o efeito de redução de consumo será bastante limitado.

 

Para o diretor da consultoria Canaplan e ex-presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, a redução da mistura do anidro à gasolina é "uma medida de bom senso, já que o governo utilizou um dos poucos instrumentos que tinha para agir no mercado". "A medida deveria ter sido tomada antes, quando já era sabido que as chuvas durante a safra trariam impacto na produção do etanol", disse.

 

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, afirma que a disponibilidade de anidro dará segurança ao consumidor por conta de migração do etanol hidratado para a gasolina.

 

A medida, decidida nesta segunda-feira, 11, em Brasília, durante reunião que contou com a participação do executivo da UNICA, valerá a partir de 1º de fevereiro. A última redução da mistura ocorreu em março de 2006, quando caiu de 25% para 20%. Em novembro deste mesmo ano, houve aumento de 20% para 23% e, em julho de 2007, subiu novamente de 23% para 25%.

 

O empresário e conselheiro da Unica, Maurílio Biagi Filho, criticou a redução da mistura do anidro à gasolina; afirmou que ela "não terá qualquer impacto" na redução dos preços do etanol hidratado e nem trará uma oferta suficiente para evitar desabastecimento do combustível de cana-de-açúcar.

 

"Isso (decisão) mostra como o álcool é tratado no governo, por muita gente e com absoluto desconhecimento", disse Biagi. "Nós (usineiros) mostramos que não precisa baixar a mistura, que existe anidro suficiente", completou. Ainda segundo Biagi, a demanda pelo etanol hidratado cairá naturalmente com a redução do consumo do combustível após os sucessivos aumentos de preço na entressafra.

 

Carvalho, da Canaplan, acredita que a partir da safra deste ano de cana-de-açúcar a situação pode mudar, quando entrarão em operação as primeiras empresas agentes de comercialização de etanol, criadas no final do ano passado a partir da autorização da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo ele, os agentes, formados por empresas do setor privado, atuarão no controle de estoques do etanol e evitarão quedas bruscas nos preços durante a safra e aumentos na entressafra, como agora.

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