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Redução da taxa básica de juro impacta todas as opções de investimentos

Blog 'No Azul' de finanças pessoais

FÁBIO GALLO É PROFESSOR , DE FINANÇAS DA FGV, DA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h08

O Banco Central já começou a reduzir a taxa básica de juros (Selic) e prevê derrubá-la ainda mais. Quais investimentos são afetados quando há queda nos juros?

Todos os investimentos são afetados com a redução da taxa básica de juros (a chamada taxa Selic). Com recuo no juro, a taxa de remuneração ao investidor oferecida por todos os tipos de investimentos que integram a renda fixa devem apresentar tendência de baixa. Por outro lado, em tese, a renda variável (como as ações) deve ter um impacto positivo porque uma taxa de juro mais baixa favorece os investimentos das empresas e, assim, as ações tendem a reagir favoravelmente. No entanto, isto não significa que o momento de instabilidade da bolsa brasileira tenha sido ultrapassado. São muitas as variáveis que afetam o valor das ações e a taxa de juros é apenas mais uma delas. Outro impacto a que nós devemos estar atentos: com a queda das taxas de juros oferecida nas aplicações em renda fixa, conforme a taxa de administração cobrada em alguns fundos, principalmente fundos de curto prazo e de renda fixa, a remuneração líquida obtida pode ficar abaixo da rentabilidade líquida obtida na caderneta de poupança. Caso a taxa Selic caia abaixo de 9% ao ano e a taxa de administração cobrada nos fundos seja acima de 3% anuais, a caderneta de poupança passar a ser mais vantajosa para o investidor, graças à sua isenção do Imposto de Renda e a não ocorrência de outros custos administrativos.

Com a crise que está acontecendo no mundo financeiro, a Bolsa ganha um novo patamar de risco. Agora o risco é mais alto. Ao mesmo tempo, as ações estão mais baratas. Tenho um porcentual da carteira alocada em papéis blue chips. Devo sacar esse dinheiro? E se eu for comprar novas ações, justamente pelo preço mais barato, quais setores o senhor indicaria para eu apostar?

Investir na bolsa em períodos como este exige um grau de conhecimento e dedicação maior que em outros momentos. Mercados nessas condições exigem muito sangue frio. "Quem está dentro, tenha sangue frio e mantenha a posição!" Essa é a regra. Em situações como esta, se dermos ouvidos às especulações, é quando podemos cometer as maiores bobagens, como comprar novas ações na alta da bolsa ou mesmo vendê-las na época de baixa. Não acho adequado sair da posição quando os preços estão oscilando muito. É essencial para o investidor presente na bolsa, neste momento, ter muita frieza e mirar o longo prazo, sendo essencial firmar uma estratégia completa para os investimentos. Lembre-se de não fazer confusão entre prejuízo econômico e prejuízo financeiro. A perda econômica pode ser reversível, o prejuízo financeiro é aquele que sentimos no bolso e este sim é irrecuperável. Quanto aos setores que podemos arriscar mais, na minha opinião, são os ligados aos serviços e ao varejo.

Possuo a quantia de R$ 100 mil em CDB DI como reserva técnica e pretendo usá-la, caso nada ocorra de excepcional, daqui a cinco anos, mais ou menos, para comprar um imóvel. Na sua opinião, eu devo permanecer nesse tipo de investimento ou aplicar a quantia em outros CDB Prêmios, por exemplo, existentes em instituições financeiras públicas. Segundo meu gerente do banco, a poupança não tem sido a melhor alternativa. Investimento em bolsa seria interessante? Enfim, o orienta sobre o que devo fazer?

Vou insistir na resposta que tenho dado para alguns leitores. Em qualquer tipo de investimento nós devemos considerar o prazo que temos a nossa disposição e a importância daqueles recursos. Quanto menor o prazo e maior importância menor o grau de risco que devemos aceitar para a nossa aplicação. No caso do leitor que enviou a questão, o prazo de cinco anos não é muito longo e a importância do investimento é grande, pois o objetivo da aplicação é compra de um imóvel - estou entendendo que se trata da casa própria. Dada essa situação e as condições atuais da bolsa, não acredito que investir em renda variável seja apropriado para nosso leitor. O valor de R$ 100 mil embora seja importante, não deverá obter uma taxa acima da média oferecida pelos bancos. Apenas para simulação, vamos admitir que o ganho líquido obtido seja em torno de 8% ao ano, o montante final ficará ao redor de R$ 145 mil. Antes de aceitar a oferta do seu gerente peça para ele realizar uma simulação considerando a taxa oferecida e descontando o Imposto de Renda, considerando a alíquota de 15%. A seguir, compare com os rendimentos obtidos pela sua aplicação na caderneta de poupança em que não há incidência de tributação. A decisão ficará mais fácil.

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