Redução das taxas de juros é inegável, diz BC

O mercado de crédito no País vai, aos poucos, retomando o fôlego e tornado-se mais palatável para as empresas e famílias brasileiras. O aumento no volume de dinheiro emprestado, verificado em setembro, é um dos sinais de retomada do nível de atividade econômica, associada é claro aos efeitos sazonais da aproximação das festas de final ano. Essa é a avaliação do chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. Ao comentar os números de taxas de juros e de volume de crédito dos bancos, divulgados hoje, ele disse que o maior destaque do mercado de crédito neste último mês foi a queda das taxas médias de juros. "A redução das taxas é inegável", comemorou Lopes. O cheque especial, por exemplo, atingiu o menor patamar registrado pelo BC desde julho de 2001: 152,2% ao ano. O spread embutido nessa taxa - 133,2% - ainda é "altíssimo", como o próprio Lopes admitiu, mas a tendência de queda é mesmo inegável.No último trimestre, essa taxa acumulou uma redução de 19,8 pontos porcentuais. Agora em outubro, a tendência de queda das taxas de juros se mantém. A taxa cobrada das empresas nas operações feitas até o dia 15 estava em 32,9% ao ano. Para as famílias, o juro médio foi de 69,9%. "No caso das pessoas físicas, essa é a menor taxa registrada desde abril de 2002, ou seja, estamos voltando ao patamar anterior à crise", comentou o chefe do Depec. Para Lopes, o natal de 2003 terá um cenário melhor do que o de 2002. "As taxas de juros hoje já estão abaixo do registrado no final do ano passado e as condições de crédito tendem a ser mais favoráveis", avaliou. Empresas antecipam empréstimos O volume das operações de capital de giro e vendor registradas em setembro, reflete o início da movimentação das empresas para as festas de final de ano. "As companhias precisam de mais capital de giro para financiar estoques, e essas operações tendem a registrar taxas de crescimento altas daqui até dezembro", explicou Altamir Lopes. A média diária de concessões de crédito para capital de giro teve um aumento de 17,3% no mês passado.No caso das operações de vendor, onde a empresa recebe um crédito que permite a venda de seu produto a prazo com pagamento à vista, o crescimento foi de 21,5%.Nos primeiros 15 dias de outubro, o BC já observou um aumento de 0,4% no volume das operações de financiamento de empresas com recursos livres e de 1,5% no caso das famílias. Para o chefe do Depec, o crédito será um dos elementos de apoio à retomada da atividade econômica a partir deste último trimestre de 2003. "O aumento da renda também será fundamental e o que se percebe é que já há algum crescimento na margem", argumentou Lopes. Medidas adotadas pelo governo como a autorização para empréstimos com desconto em folha, microcrédito e linhas especiais de financiamento de compra de eletrodomésticos incrementarão, segundo Lopes, o movimento de redução das taxas de juros praticadas pelo mercado de crédito no País. "Num primeiro momento, não veremos um aumento no volume de crédito, porque devemos ter um movimento de substituição de créditos mais caros, como o cheque especial, por mais baratos, como o crédito pessoal", explica Lopes. "Mas as taxas dessas modalidades de crédito anunciadas vão trazer uma redução expressiva na taxa média do mercado", completou. Leia também: Leia também: Juro médio dos bancos cai para 49,8% em setembro Bancos emprestam 1,2% a mais em setembro

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