Redução de IPI foi positiva para geração de emprego na Grande São Paulo

Queda do imposto para linha branca e veículos gerou em julho 21 mil vagas na indústria metal mecânica   

Agência Estado,

29 de agosto de 2012 | 18h03

SÃO PAULO - A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi positiva para a geração de empregos na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) que a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgaram nesta quarta-feira (29). De acordo com o técnico da Seade, Alexandre Loloian, enquanto a indústria de transformação como um todo fechou 34 mil postos de trabalho na região em julho, com uma queda de 2% no nível de emprego, a indústria metal mecânica criou 21 mil postos de trabalho no mês passado.

A indústria metal mecânica congrega os setores de metalurgia, material de transportes, eletroeletrônico, linhas brancas, marrom e veículos. "Estes são os setores que têm sido contemplados pelo governo medidas de estímulo, inclusive a redução do IPI", disse Loloian, em entrevista à Agência Estado. Ele considerou positivo a prorrogação do IPI menor para os itens de linha branca, móveis, painéis e luminárias, material de construção e automóveis. "Qualquer possibilidade de retomada ou sustentação econômica daqui para o final do ano, em especial com vistas à geração de empregos, vai depender da indústria metal mecânica", avalia o técnico da Fundação Seade.

A queda no nível de emprego da indústria como um todo em julho, de acordo com o técnico da Fundação Seade, tem a ver com um comportamento muito ruim da indústria da alimentação, confecção, vestuário e calçados. "Exatamente o oposto da indústria da transformação metal mecânica e dos segmentos de bens de consumo duráveis e de capital, que são os focos principais da política econômica desde o ano passado", diz o técnico da Fundação Seade.

Desoneração da folha

O setor do comércio varejista, que inclui também reparação de veículos automotores e motocicletas, reduziu em 0,3% o seu quadro de trabalhadores em julho na comparação com junho, com o fechamento de 5 mil postos de trabalho. O segmento de varejo tem solicitado ao governo desoneração da sua folha de pagamento. Seus representantes alegam ser este um dos maiores empregadores do País.

Para Loloian, a desoneração da folha de pagamento do setor poderá ajudar, mas marginalmente. "O que garante emprego é crescimento, o nível da atividade, economia indo para frente. Isso que gera emprego e mantém os empregos existentes. Se o comércio está agora tentando fazer esta negociação com o governo é uma questão de ver os tipos de substituição tributária possível porque na indústria houve desoneração da folha, mas houve tributação de 1% sobre o faturamento", observa Loloian.

No entanto, avalia o técnico da Fundação Seade, "o comércio não é um grande empregador". "Aqui na Região Metropolitana de São Paulo o comércio representa apenas 16% do total dos ocupados. O pesadão são os serviços que representam muito mais de 55% e vai bem na esteira do bom desempenho do emprego e renda", diz o técnico da Fundação Seade.

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