Redução de jornada é adiada de novo

As centrais sindicais preparam a celebração do Dia do Trabalho, em 1.º de maio, com a esperada presença da presidente Dilma Rousseff, colecionando derrotas tanto no governo quanto no Congresso. Nenhuma das últimas reivindicações e negociações feitas pelos representantes dos sindicalistas foi atendida. Ontem, dirigentes de cinco centrais sindicais ouviram mais um não ao se reunir com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) para discutir a pauta trabalhista na Casa.

Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

O deputado, que também participará do ato no domingo que vem, deixou para o próximo semestre a discussão da eventual votação da proposta de emenda constitucional que reduz de 44 para 40 horas a jornada semanal de trabalho, uma das principais bandeiras do sindicalismo. O projeto, que já passou pelas comissões e está à espera de votação pelo plenário.

Neste ano, as centrais já não foram atendidas quando defenderam um aumento maior para o salário mínimo e um índice maior de correção da tabela do Imposto de Renda. A presidente Dilma não cedeu aos apelos por um mínimo de R$ 560, defendido pelos sindicalistas e manteve o valor de R$ 545. As centrais sindicais também tiveram de abrir mão dos 6,46% que defendiam para a correção na tabela do IR e a medida provisória fixou esse índice em 4,5%.

"Eu recebi a pauta e vamos dialogar também com o setor empresarial e, quem sabe, no segundo semestre nós possamos avançar em ações destinadas a melhorar a qualidade do trabalho no Brasil", disse Maia, após o encontro. "Eu explicitei a dificuldade que tem de votação dessa matéria. Não é uma matéria simples. Isso precisa ser dialogado com o setor empresarial e é preciso que sejam feitos ajustes", disse.

Pressão. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse que os trabalhadores vão intensificar a pressão no Congresso pela aprovação da jornada menor. "Sabemos que não é fácil. Reduzir a jornada de trabalho é uma luta de classes", disse .

"Nada é fácil no Congresso", concordou o presidente da CUT, Artur Henrique. "Não dá para discutir só a pauta do governo e dos empresários. Esse foi o principal recado para Marco Maia", afirmou. Na pauta das centrais estão ainda o fim do fator previdenciário no cálculo do valor das aposentadorias e a regulamentação do trabalho terceirizado. Marco Maia concordou em criar uma comissão especial para discutir os projetos.

No segundo semestre

MARCO MAIA

PRESIDENTE DA CÂMARA

"Eu recebi a pauta e vamos dialogar também com o setor empresarial e, quem sabe, no segundo semestre nós possamos avançar em ações destinadas a melhorar a qualidade do trabalho no Brasil"

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