Redução de juros ?não se dará por qualquer coisa?, afirma Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, na fábrica da Fiat em Betim, que a questão dos juros é delicada e que a redução das taxas "não se dará por qualquer coisa". Ele acrescentou que a queda "será cada vez mais forte, quando o Brasil conquistar credibilidade". "Os investidores têm que perceber que o governo brasileiro não fala uma coisa de dia e outra de noite, mas que fala e cumpre", disse. Ele afirmou a cerca de 5 mil trabalhadores da fábrica, que o controle da taxa de juros foi escolha do governo como instrumento para administrar a inflação e lembrou que "mesmo estando alta, é a taxa mais baixa dos últimos dez anos". Segundo o presidente, os outros instrumentos disponíveis para o controle da inflação seriam a redução das alíquotas de importação e o controle de preços. De acordo com Lula, essas opções não agradariam e o preço para os trabalhadores seria maior. Setor automotivo Lula anunciou a disposição do governo de discutir com a indústria automotiva uma política para incentivar as vendas e aumentar a oferta de empregos. Ele fez a afirmação em resposta ao pedido feito, quando de sua chegada à fábrica, por dirigentes e trabalhadores da empresa, para que seja novamente reduzida a alíquota do IPI incidente sobre automóveis, sob argumento de que a volta desse instrumento aumentaria a venda de carros. Também pediram a redução dos juros, com o mesmo argumento. "O governo está totalmente aberto para convocar a indústria e ver que tipo de política pode ser adotada", disse Lula. Ele lembrou que, em 1992, por ocasião de uma crise na indústria automobilística instalada no ABC paulista, foi feito um acordo para recuperação da capacidade produtiva das empresas e a manutenção de empregos. Na oportunidade, lembrou, os governos federal, estadual e municipal abriram mão de impostos para reduzir o valor dos veículos. "Isso pode ser feito", disse o presidente. "Tenho certeza de que nem a União, nem os Estados nem os municípios perdem. Tenho certeza de que esse conjunto (os três níveis de poder) tem interesse em fazer isso". Dirigindo-se ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que estava a seu lado, Lula observou que também ele e o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, que não estava presente, têm interesse em buscar propostas para aumentar a produção e o emprego.

Agencia Estado,

19 Março 2004 | 12h36

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