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''Redução de spread de bancos públicos não é sustentável''

Enquanto bancos privados subiram juros para enfrentar a crise, diz Setubal, bancos públicos cortaram algumas taxas

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

12 de agosto de 2009 | 00h00

Para o presidente executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, a redução de algumas taxas de spread (diferença entre a taxa de captação de recursos e a taxa cobrada dos clientes nos empréstimos) promovida pelos bancos oficiais "não é sustentável". Segundo ele, no início deste ano, enquanto os juros cobrados pelos bancos comerciais subiam, por causa do estancamento global do crédito, os bancos públicos diminuíram o valor dos spreads. Em palestra para empresários em São Paulo, Setubal destacou, no entanto, que os bancos públicos tiveram um papel importante para elevar a concessão de crédito na economia, o que faz parte da estratégia "correta" do governo de adotar medida anticíclicas para atenuar os efeitos da crise no País.Mas o executivo acredita que a tendência é as taxas cobradas tanto por bancos públicos quanto por privados se estabilizarem no mesmo nível. "O sistema financeiro reduziu os spreads no último trimestre e houve aumento da concessão de crédito. Estamos em uma fase de retomada do crédito com redução do spread", afirmou. Indagado pela Agência Estado se a alta rentabilidade dos bancos comerciais não permitiria uma queda mais intensa dos spreads, o que foi exortado há alguns dias pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, Setubal respondeu que "os bancos estão longe de ser o primeiro setor em termos de rentabilidade". No entanto, reconheceu que o setor financeiro brasileiro tem se destacado em um contexto global. "Neste momento, evidentemente, quando a gente olha o que aconteceu com os bancos lá fora, a maior parte deles, inclusive, com prejuízos, a rentabilidade (dos bancos) do Brasil está bem superior."Para Setubal, a economia brasileira está se recuperando de forma satisfatória da crise e o Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar o ano com um ritmo de expansão perto de 4%. "Estatisticamente, o PIB em 2009 deve ficar o próximo a zero, mas nos últimos meses do ano, estaremos com um ritmo avantajado de aceleração que deverá levar o País a crescer por volta de 4,5% em 2010 e até pode chegar a 5%", afirmou. Segundo ele, o PIB no segundo trimestre indica um ritmo de crescimento entre 5% e 6% em relação ao primeiro trimestre deste ano.FUSÕESNa avaliação de Setubal, não há mais espaço no mercado brasileiro para fusões de grandes bancos, como a realizada entre Itaú e Unibanco, que criou o maior conglomerado financeiro da América do Sul. Com a operação, o Itaú superou o seu principal concorrente privado, o Bradesco. "O que está feito está feito. Até poderia ocorrer compra de bancos médios. Mas acho que entre os quatro grandes lá em cima não tem mais condição de acontecer nada."De acordo com Setubal, poderia ocorrer de forma excepcional alguma fusão caso um dos grandes bancos apresentasse problemas muito sérios. Mas ele ressaltou que não existe nenhuma perspectiva de que isso ocorrera no Brasil. Setubal disse que o atual nível de concentração do País é adequado para os bancos de varejo, pois no mundo poucos países têm acima de cinco grandes instituições operando neste setor.

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