Redução de tarifa na China pode abrir portas a etanol brasileiro

A decisão da China de reduzir a tarifa sobre as importações de álcool de 30 por cento para 5 por cento também pode se aplicar ao etanol, disseram traders, possivelmente abrindo a porta para importações do biocombustível do Brasil.

REUTERS

18 de dezembro de 2009 | 12h18

Mas mesmo que as importações sejam financeiramente viáveis, os traders não esperam grandes compras devido à falta de capacidade de misturar o biocombustível à gasolina.

O Brasil, maior exportador mundial de etanol, tem pressionado a China para importar o biocombustível brasileiro como um complemento à produção limitada do país asiático.

"A tarifa baixa parece tornar as importações viáveis. Mas estamos estudando se há outras restrições", disse um trader.

O Ministério das Finanças informou na quarta-feira que a taxa de importação sobre o álcool e outras bebidas desnaturadas vai cair para 5 por cento a partir de 1o de janeiro de 2010.

Autoridades do ministério não puderam ser encontradas para comentar.

Outro trader afirmou que a redução da tarifa, parte do compromisso de Pequim de reduzir as taxas gerais de importação como membro da Organização Mundial de Comércio, não vai resultar em grandes importações em breve.

"A redução pode levar a importações de uma maneira indireta, o que será a tendência futura. Mas não esperamos que as importações aconteçam dentro de um curto período de tempo".

Ele afirmou que os compradores têm que construir instalações de mistura, atualmente sob controle de empresas estatais. Pequim determina o uso de gasolina misturada com etanol apenas em cerca de um terço das províncias chinesas.

A China não permitirá nenhuma grande expansão de produção de etanol à base de grãos devido a preocupações com a segurança alimentar, e a expansão da produção de biocombustível utilizando outras matérias-primas é restrita devido à quantidade limitada de terras e de recursos hídricos.

O governo quer misturar 2 milhões de toneladas de etanol na gasolina até 2010 e 10 milhões até 2020, como parte de esforços para ajudar a reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Mas autoridades da indústria duvidam que a meta poderá ser cumprida já que as atuais instalações só podem produzir cerca de 1,35 milhão de toneladas.

POSITIVO PARA BRASIL

Exportações de etanol brasileiro para a China são improváveis no curto prazo, uma vez que a safra de cana está acabando no centro-sul e os estoques do combustível estão apertados .

Mas a notícia é vista como positiva num período mais longo, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

"A China tem um baita mercado, eles não têm como responder ao aumento da demanda e estão abrindo uma janela, o que é altamente positivo", disse Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

Além da falta de disponibilidade, os atuais preços do etanol no mercado brasileiro, acima da média, e o câmbio valorizado frente ao dólar tornariam inviáveis embarques nos próximos meses.

"Mas tudo é possível de ser alcançado, especialmente se houver interesse em contratos de longo prazo, preços pré-fixados", disse Pádua, acrescentando que, neste caso, a abertura da China poderia inclusive estimular investimentos no setor.

(Por Niu Shuping e Tom Miles, reportagem adicional de Inaê Riveras)

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