Redução de tarifas do álcool tem de passar pela OMC, diz UE

O vice-presidente da Comissão Européia, Jacques Barrot, afirmou que os países terão de envolver a Organização Mundial do Comércio (OMC) em qualquer negociação para a redução de tarifas de importação para o etanol e outros biocombustíveis. "Esse será um tema que terá de passar pelas negociações multilaterais", afirmou Barrot, que dentro da estrutura européia é uma espécie de ministro dos Transportes. Hoje, a tarifa imposta sobre o etanol do Brasil é de cerca de 70%. A Europa colocou como meta ter 5,75% de sua frota de carros com etanol até 2010. Mas para isso terá de transformar a produção de açúcar em combustível. Mesmo assim, muitos acreditam que os europeus terão de importar o etanol, principalmente do Brasil, já que poderão usar no máximo 12% de suas terras aráveis para o combustível sem que isso afete a produção de alimentos. Barrot revela que a Comissão Européia ainda não está com sua estratégia finalizada em relação ao combustível, ao contrário dos Estados Unidos. "Ainda estamos debatendo o assunto politicamente", disse, sem dar qualquer esperança de que as tarifas de importação na Europa estejam em um ponto de sofrer uma queda. "Não prevemos nenhuma redução das tarifas por enquanto", disse. O governo brasileiro já deixou claro que não hesitará em levar o debate das tarifas sobre o etanol à OMC para que seja negociado. Um dos problemas, porém, é que cada país classifica o combustível de forma diferente em suas listas de tarifas. "Precisamos ter antes de tudo uma harmonização dos padrões", afirmou Barrot. O problema é que, dentro do bloco europeu, nem todos os países têm a mesma visão sobre o comércio do etanol. Na Suécia, país que conta com o maior número de carros na Europa movido a etanol, o governo pede que haja um corte de tarifas de importação para que o consumo possa aumentar. Já na França e Itália há uma forte pressão para que a Comissão Européia mantenha fechado seu mercado até que os produtores locais possam ter a capacidade de produzir e concorrer contra o combustível importado. Além da divisão entre os países, há ainda uma diferença de pontos de vista entre os responsáveis pelo comércio exterior no bloco e as autoridades que lidam com a agricultura, mais inclinados a manter o mercado fechado por alguns anos ainda.

Agencia Estado,

23 Abril 2007 | 15h38

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