Redução do compulsório não afetaria volume de crédito

Apesar da pressão para o governo iniciar uma redução do compulsório ? parcela que os bancos recolhem ao Banco Central - juntamente com a queda na taxa de juros esperada para a próxima semana, o assunto causa polêmica na equipe econômica. Há forte resistência à idéia de que se poderia aproveitar a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central marcada para as próximas terça e quarta-feiras e liberar parte do dinheiro dos bancos retido no BC a título de compulsório. O argumento contrário a uma flexibilização agora é o de que as instituições financeiras já estão operando com uma folga muito grande e têm recursos de sobra para direcionar ao crédito. Portanto, não precisam de mais dinheiro do compulsório. "Isso não teria impacto nenhum na economia agora", admite uma fonte da equipe econômica, ressaltando que a liberação dos recursos serviria apenas para os bancos aplicarem em títulos públicos, recebendo a remuneração do governo. Folga de recursos Segundo dados do Banco Central, o sistema financeiro tem atualmente uma folga de cerca de R$ 49 bilhões para aplicar nas diversas operações de crédito. Pelas regras do BC, os bancos precisam ter um patrimônio equivalente a, no mínimo, 11% do total da sua carteira de crédito contabilizada de acordo com o risco que cada operação oferece. No entanto, o índice médio do sistema está em 17,46%. Em reais, isso significa que enquanto o patrimônio mínimo exigido é de R$ 84 bilhões, o sistema opera com R$ 133 bilhões. A maior folga está com os bancos privados nacionais que operam com um índice de 17,65%. Já nos bancos privados estrangeiros, o índice é de 11,56%, e entre os bancos públicos, de 16,02%. "Existe essa folga porque não tem tomador. Quem quer pegar um empréstimo paga as taxas de juros atuais", diz um técnico do governo. Segundo ele, além de inibir o consumo, os juros altos inviabilizam os investimentos por parte das empresas. "Um supermercado que tem uma margem de ganho de 2%, por exemplo, só vai tomar emprestado para expandir se conseguir algo, pelo menos, a 1,5%. Caso contrário, a opção é usar recurso próprio ou simplesmente não expandir", avalia. Outro problema é que os bancos estão direcionando boa parte do recursos disponíveis para comprar títulos do governo onde a rentabilidade é alta e com risco praticamente zero. "Liberar compulsório agora só serviria para engordar o lucro dos bancos", defende o economista Eduardo Velho, do Instituto Superior de Economia e Gestão.

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