Redução do juro não afastou risco, revela ata do Fed

Segundo o documento, ainda não há estabilidade no setor de moradias e nas condições financeiras dos EUA

O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

Os formuladores da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reconheceram, na reunião de 29 e 30 de janeiro, que os riscos de declínio para a economia persistiam mesmo após a forte redução da taxa de juros em 1,25 ponto porcentual num intervalo de oito dias. A revelação está na ata do encontro. Semana passada, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse ao Congresso que afrouxará mais a política monetária, caso se deteriorem as condições econômicas.O Fed também divulgou novas projeções para alguns indicadores econômicos de 2008. Para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa passou de um intervalo de 1,8% a 2,5% para entre 1,3% a 2%. A estimativa de inflação medida pelo Índice de Preços com Gastos de Consumo (PCE, em inglês) foi de 1,8% a 2,1% para o intervalo entre 2,1% e 2,4%. A ata deixou claro que as autoridades monetárias também estavam atentas ao fato de que suas ações poderiam ser interpretadas como uma ajuda a Wall Street, e alguns membros disseram que uma "rápida reversão" da recente política de afrouxamento poderá ser necessária quando a economia se estabilizar. Isso sugere que os membros vêem sua nova posição agressiva como uma faca de dois gumes, tanto quando as taxas estiverem caindo como quando elas no final subirem. "Sem sinais de estabilização no setor de moradias e com as condições financeiras ainda não se estabilizando, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) concordou que os riscos de declínio ao crescimento vão permanecer mesmo depois desta ação", revela a ata do encontro de 29 e 30 de janeiro, quando o banco central cortou a meta para a taxa dos Fed Funds em 0,50 ponto porcentual, para 3%.A ata da última reunião de política monetária do Fed também inclui uma descrição da teleconferência realizada em 21 de janeiro, que levou a um corte surpresa da taxa de juro entre as reuniões, de 0,75 ponto porcentual em 22 de janeiro e também sobre a teleconferência de 9 de janeiro, que não havia sido revelada. Nenhuma ação de política monetária foi tomada no dia 9. A ata da reunião de 29 e 30 de janeiro deu algumas informações sobre os oito dias sem precedentes do Fed, período em que a autoridade monetária reduziu a meta para os Fed Funds em 1,25 ponto porcentual, para 3%. A repentina agressividade do Fed - que havia reduzido o juro apenas 1 ponto porcentual nos quatro meses antes do fim de janeiro - abriu espaço para críticas de que o banco central esperou demais para responder à crise do setor de hipotecas e ao aperto no crédito em primeiro lugar e, quando agiu, foi excessivamente sensível as flutuações do mercado financeiro. O fato de a liquidação dos mercados globais que precedeu o corte entre reuniões no dia 22 de janeiro ter sido desencadeada por um escândalo bancário na França não ajudou na credibilidade do Fed. "Algumas preocupações foram expressadas de que uma ação imediata da política poderia ser mal interpretada como dirigida pelos recentes declínios nos preços das ações, em vez da perspectiva econômica mais ampla", revela a ata.

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