Redução do prazo de registro pode inibir a especulação

Segundo os institutos de pesquisa, uma divulgação mais ágil pode evitaro vazamento e eventual mau uso das informações

Aline Bronzati, Letícia Sorg, Daniela Milanese, Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2014 | 02h02

Dois dos maiores institutos de pesquisa do País, o Ibope e o Datafolha, acreditam que a redução do prazo para registro das pesquisas eleitorais no Tribunal Superior Eleitoral poderia reduzir a possibilidade de especulações no mercado financeiro. Atualmente, os levantamentos precisam ser registrados no TSE com no mínimo cinco dias de antecedência da publicação.

A CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, avalia que diminuir o prazo para dois ou três dias pode ser uma boa medida para evitar as especulações, pois o processo seria bem mais ágil. "O registro é feito para dar transparência ao processo, portanto, independe da quantidade de dias que antecede a divulgação", afirmou, por e-mail.

Na avaliação de Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, o prazo de cinco dias "tornou-se um forte incentivo às especulações e pouco contribui para seu real objetivo que é o de permitir a fiscalização dos instrumentos". "A diminuição desse prazo não prejudicaria a fiscalização pelos partidos e diminuiria muito as especulações", disse, por e-mail. Ele sugere que os institutos possam registrar a pesquisa no dia em que iniciarem a coleta dos dados.

Procurado, o TSE não se manifestou sobre o assunto.

Vazamentos. Márcia, do Ibope, nega a possibilidade de vazamentos. "Podemos responder apenas pelas pesquisas realizadas pelo Ibope Inteligência e asseguramos que não há vazamento de informações", diz. "Imediatamente após a conclusão das pesquisas os resultados são encaminhados para os veículos que as divulgam, que no caso das últimas pesquisas de intenção de voto para presidente foram o jornal O Estado de S.Paulo e o seu site, o portal G1 e a emissora GloboNews."

Conforme o Datafolha, existem procedimentos de segurança durante o processo de realização e fechamento das pesquisas para evitar que os números vazem. "Em geral, os números do Datafolha são divulgados no dia seguinte ao fechamento da pesquisa. Em muitos casos - por exemplo quando envolve divulgação pela TV - os números tornam-se públicos algumas horas após a conclusão da coleta dos dados", diz Paulino.

Sobre a realização de pesquisas privadas, Márcia afirma que o Ibope Inteligência não tem nenhum produto eleitoral voltado ao mercado financeiro. Segundo ela, são oferecidos diversos tipos de pesquisas, para clientes variados. "Qualquer interessado, seja ele pessoa física ou jurídica, de qualquer segmento de atividade, pode contratar pesquisas eleitorais do Ibope ou de qualquer outra empresa de pesquisa."

Paulino, do Datafolha, diz que o instituto não faz pesquisas eleitorais sob encomenda de instituições financeiras. "O Datafolha só faz pesquisas eleitorais para veículos de comunicação, com o compromisso de divulgação pública dos resultados."

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