Redução do risco de inflação explica baixa no juro, diz Copom

O comportamento recente dos índices de preços, a menor expectativa de inflação no curto e médio prazo (próximos 12 meses) e a baixa intensidade registrada do repasse ao varejo da inflação mais alta do atacado foram os elementos citados pela maioria dos integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para justificar a decisão de reduzir em 0,25 ponto porcentual a meta da taxa Selic na reunião da semana passada. De acordo com a ata do encontro, divulgada esta manhã pelo BC, esses três fatores, na visão desses integrantes do Comitê, constituíram "evidência suficiente" da redução do risco de descumprimento da meta de inflação, o que justificou, portanto, a decisão de cortar a meta da taxa Selic para 16,25% ao ano. "Essas considerações indicam que a manutenção da taxa Selic em janeiro e fevereiro foi suficiente para elevar, neste momento, a probabilidade de materialização dos cenários de baixa persistência inflacionária considerados pelo Comitê, afastando o perigo de que o aumento da inflação ocorrido entre dezembro e fevereiro viesse a contaminar as expectativas de inflação e provocar uma mudança na dinâmica inflacionária. Assim, essa flexibilização da política monetária reflete a cautela necessária na administração do balanço de riscos entre inflação e a continuidade da retomada da atividade econômica", justificam os diretores do BC. A redução da meta Selic foi defendida por seis dos nove integrantes do Copom. De acordo com a ata, três membros do Comitê consideraram ser mais adequado não alterar a taxa básica de juros na reunião de março e votaram, portanto, pela manutenção da Selic em 16,50% ao ano. "Esses membros recomendaram maior cautela na condução da política monetária no curto prazo, propondo que eventuais cortes na meta para a taxa Selic fossem deixados para um momento posterior, quando houvesse evidências adicionais de que a maior inflação ocorrida entre janeiro e fevereiro não contaminaria a inflação dos meses seguintes e de que seria pequeno o impacto dos aumentos recentes dos preços no atacado sobre a dinâmica futura dos preços ao consumidor", explica o Comitê na ata. Na visão desses três diretores, essa cautela aumentaria a probabilidade de uma "ancoragem mais firme" das expectativas inflacionárias e do comportamento dos formadores de preços para consolidar um "quadro benigno" de inflação como o capturado pelos cenários de baixa persistência analisados pelo Copom.

Agencia Estado,

25 Março 2004 | 09h01

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