Redução mais acentuada do emprego e da renda

Tanto os números da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, como os do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, confirmam o grave enfraquecimento do nível de emprego no País. Ao se aproximar a etapa mais aguda do aperto fiscal e monetário, vai-se desfazendo a promessa oficial de que os trabalhadores não seriam punidos. A divulgação da PME, na quinta-feira, e do Caged, no dia seguinte, mostrou o contrário do que fora prometido.

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2015 | 03h42

A taxa de desemprego do IBGE, que se refere somente às seis principais regiões metropolitanas, aumentou 1,5 ponto porcentual entre abril de 2014 e abril de 2015, de 4,9% - quando a situação era de quase pleno-emprego - para 6,4%. Nada menos do que 384 mil pessoas se somaram às estatísticas de desocupação da PME nesse período, em parte porque cresceu a População Economicamente Ativa (PEA), em parte pelo corte de pessoal.

O desemprego cresceu sem interrupção nos primeiros quatro meses do ano. Nem a forte queda da renda média habitual, de 0,5% entre março e abril e de 2,9% entre os meses de abril de 2014 e de 2015, de R$ 2.208 para R$ 2.138, bastou para conter o ritmo das demissões.

Os dados do Ministério do Trabalho, que diferem dos calculados pelo IBGE, confirmam a queda de 1,9% do número de trabalhadores com carteira assinada registrada pela PME. Segundo o Caged, mais de 97,8 mil postos formais foram cortados no mês passado, pior resultado desde que o cadastro começou a ser divulgado, em 1992. Em 2015, já foram demitidos 150 mil empregados com carteira assinada.

A indústria cortou 53,8 mil vagas, a construção civil dispensou 23 mil trabalhadores, o comércio suprimiu 20,8 mil e o setor de serviços, 7,5 mil. Só a agricultura apresentou um pequeno aumento das contratações formais, de 8,4 mil pessoas.

A supressão de vagas ocorre em sua quase totalidade no setor privado, em que o mercado de trabalho confirma uma precariedade muito mais acentuada comparativamente ao setor público.

A pesquisa do IBGE mostrou o duplo impacto da inflação sobre as famílias: mais pessoas voltam a procurar emprego para compensar a renda real que deixou de ser aferida ou para suprir a falta de rendimentos de pessoas que foram dispensadas. A situação é pior para os mais jovens, que voltam ao mercado.

Os números antecipam a gravidade do quadro recessivo à frente.

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