André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Exportação de carne brasileira desaba, diz ministério

Volume exportado do produto foi de apenas US$ 74 mil ontem, ante US$ 60,5 milhões na segunda-feira

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2017 | 11h44

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) mostram um forte recuo nas exportações diárias da carne brasileira. Na terça-feira, 22, foi embarcado o equivalente a US$ 74 mil do produto, contra US$ 60,5 milhões na segunda-feira e US$ 53,9 milhões na sexta-feira passada, dia em que foi deflagrada a Operação Carne Fraca. Ao Senado, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, informou nesta quarta-feira, 22, que a média diária de embarques do produto é de US$ 63 milhões. "A gente não sabe o tamanho da pancada que vai levar", afirmou a senadores.

O MDIC diz que é preciso adotar cautela ao analisar os números diários porque é comum que eles apresentem forte oscilação ao longo de um mês. A Pasta admite, porém, que os dados passaram a ser monitorados de perto pelo Ministério da Agricultura.

Mais cedo, Maggi disse ter conversado com alguns produtores que relataram, por exemplo, que os frigoríficos que processam carne bovina pararam suas compras, diante das incertezas sobre os embarques para mercados como a União Europeia e a China. No mercado de suínos, compras de carne para processar que normalmente são feitas às segundas foram adiadas para quarta ou quinta-feira. 

 

 

Por isso, há pressa no destravamento das exportações, pois o ciclo de produção de carnes é curto e não há como adiar por muitos dias os abates. Além disso, há problemas de armazenamento. 

Maggi disse ter recebido a boa notícia que o Japão restringirá sua limitação de compra aos 21 estabelecimentos alvos da operação. Esses estabelecimentos, de toda forma, já estão impedidos de exportar por decisão do próprio governo brasileiro, que não tem emitido licenças de exportação. "Quero crer que estamos indo por um bom caminho", disse. "Falta um posicionamento definitivo da Comunidade Europeia e da China. Resolvidos esses dois assuntos, podemos respirar um pouco." O ministro disse que pretende viajar aos principais mercados para dar garantias "olho no olho".

PF. O novo posicionamento da Polícia Federal (PF), admitindo que os problemas encontrados na Operação Carne Fraca são pontuais, é um fator importante para a retomada das vendas de proteína animal ao mercado interno, avaliou Blairo. "A população confia muito na PF", comentou. 

No último fim de semana, o ministro criticou a forma como a operação foi comunicada à população. Segundo ele, foram divulgadas informações errôneas, como a da mistura de papelão aos embutidos. Além disso, as análises laboratoriais foram questionadas. Ontem, o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, esteve no Ministério da Agricultura para tratar de uma maior participação dos técnicos na avaliação das informações. 

 

Fiscalização. Também no início da tarde de hoje, Blairo visitou um supermercado na Asa Norte, em Brasília, acompanhando uma operação de fiscalização. Foram encontrados, nos estabelecimentos, três produtos originários de estabelecimentos que foram alvo da Operação Carne Fraca.

Os fiscais retiraram das gôndolas salsichas ao vinagrete da marca Italli, produzida por uma das plantas interditadas do frigorífico Peccin. O mesmo foi feito com sobrecoxas de frango e filés de peito com ervas finas da marca Seara. Os produtos ficarão retidos no depósito do supermercado até que seja concluída uma análise sobre sua qualidade. A apreensão, explicaram os fiscais, é preventiva.

O ministro aproveitou para conversar com pessoas que faziam compras para perguntar se estão consumindo carne e assegurando a eles que os produtos são seguros. "Pode consumir tranquila. Essa história de papelão, esquece. Foi uma comunicação errada", assegurou ele à funcionária pública Eilany Maria, que almoçava na rotisseria do restaurante e tinha um pedaço de carne de porco em seu prato.

"Como é o nome do senhor?", perguntou a aposentada Maria José Moraes, de 65 anos. "Nem frango não tô comendo mais", disse ela ao ministro, que lhe respondeu que o produto é seguro. "Vamos fazer um teste?" propôs Maggi. Ele entregou a ela um cartão com o número de seu telefone celular e sugeriu a ela consumir frango e depois telefonar para dizer se correu tudo bem. Depois que ele saiu, Maria José disse que não fará o teste. E que prefere esperar um pouco para retomar o consumo do produto. "Daqui uns tempos, eu vou comer", disse.

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