Redução nas taxas de juros "é uma questão de tempo", diz Appy

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, disse hoje que a redução consistente das taxas de juros é uma questão de tempo. "Mas que virá, virá", disse.Devido a essa futura queda de juros, o secretário considera que "mais cedo ou mais tarde, os títulos do governo vão deixar de ser tão bons ativos" quanto são hoje e os títulos privados vão ser ativos mais importantes, já que teriam a possibilidade de oferecer juros mais altos para atrair o interesse do investidor. De acordo com ele, essa redução será fruto da política macroeconômica.Ele contestou as críticas à execução fiscal. "O fato é que este não é um governo gastador. Algum afrouxamento foi feito em 2004, mas certamente nada que levasse ao descontrole do gasto público", afirmou.Appy acredita que as condições estruturais para o desenvolvimento do mercados de capitais já estão dadas e, portanto, quando a redução consistente dos juros ocorrer, haverá um impacto positivo muito grande para o mercado de ações. Isso porque o investimento em Bolsa torna-se mais atrativo quando os juros estão mais baixos. "Será uma revolução no mercado de capitais", afirmou.Mudanças já realizadasDurante a palestra, ele referiu-se às mudanças tributárias sobre investimentos já realizadas,ao crescimento dos mercados de debêntures e de ações em emissões e valor e a instrumentos como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e as Letras de Crédito do Agronegócio.As mudanças no mercado de capitais, segundo Appy, tem o objetivo de permitir que ele seja um mecanismo de financiamento para o investimento de longo prazo. "É conseqüência natural que isso se converta em instrumento de financiamento da economia. Isso é essencial para que a gente possa continuar crescendo de forma sustentada. Ciclos de investimento mal financiados cobram seu custo", afirmou.

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