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Redução nos juros de longo prazo agrada indústria

O Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu nesta quarta-feira a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 7,5% para 6,85% ao ano, o menor nível desde a criação da taxa, em outubro de 1994. A nova taxa valerá para o último trimestre do ano. Desde que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, assumiu o cargo em março, o CMN acelerou a queda da TJLP que, em dois trimestres, caiu 1,30 ponto porcentual.O ritmo mais rápido de queda da taxa é uma das medidas do governo para estimular os investimentos no País e provocar um crescimento mais robusto da economia nos próximos anos. "Com esta redução da TJLP, de 0,65 ponto porcentual, nós nos aproximamos das taxas de juros para investimentos de outros países emergentes," afirmou Mantega. Segundo ele, o CMN considerou, para calcular a nova taxa, uma inflação projetada para os próximos anos de 4,5% e uma taxa de risco Brasil - que mede a confiança dos investidores estrangeiros na capacidade de pagamento da dívida do País - entre 220 e 230 pontos. Mantega afirmou que a nova redução da TJLP oferece para os investidores uma taxa de juros atraente para novos investimentos. Segundo ele, o objetivo do governo é elevar a proporção dos investimentos com o Produto Interno Bruto (PIB) dos atuais 20% para 25% nos próximos anos. No entanto, os desembolsos do BNDES de janeiro a agosto deste ano caíram 4% em relação ao mesmo período do ano passado.A redução surpreendeu o mercado, e agradou a indústria. O mercado esperava, segundo pesquisa da Agência Estado, que a redução da TJLP seria de no máximo 0,50 ponto porcentual.RepercussõesO presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e da Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy salientou que "a taxa de 6,85% está vindo em boa hora, e pode permitir que novos investimentos venham para o setor, permitindo um crescimento da economia". Godoy entende que a aplicação em renda variável já começa a ser atrativo, isto é, " se ganhará mais investindo em renda variável do que na renda fixa"."Com a redução dos juros, há uma tendência inevitável de migração dos recursos atualmente em renda fixa para a renda variável e para ativos de forma geral. Entendemos que a infra-estrutura, diante da carência e da necessidade de atrair recursos, será um porto seguro e atrativo para os aplicadores que, por meio de fundos de investimento e de pensão, investem em renda fixa", disse o empresário.Apenas como exemplo: com a redução dos juros, hoje, uma empresa que aplica em títulos de renda fixa tem uma remuneração líquida real de 7% ao ano. Então, os projetos de infra-estrutura podem se tornar mais atrativos que os títulos de renda fixa. Inclusive porque em um empreendimento na área de infra-estrutura, o investidor terá a perspectiva de um crescimento do negócio, o que proporciona retorno maior ao investimento, afirmou o presidente da Abdib.O diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof, considerou a redução como "um passo importante para a indústria brasileira, que cada vez mais necessita de condições de competição em relação a seus concorrentes globais". "Essa redução da TJLP é uma condição necessária, mais não suficiente, para a retomada de uma intensificação dos investimentos no País", ressaltou Tabacof.Em nota enviada à imprensa, o diretor do Ciesp citou números do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), indicando queda de 4,9% nos desembolsos do banco até agosto, e do volume de consultas, que também estão em ritmo reduzido. Tabacof afirmou que o "ao que tudo indica, o quadro macroeconômico não se reverterá", e projetou crescimento econômico entre 3,0% e 3,3% no ano."O esforço para evitar a evolução medíocre da economia deveria ter sido adotado há mais tempo, com medidas adequadas, tanto na política de crédito como na cambial", disse Tabacof. Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paul Skaf, qualificou como a queda nos juros como "superpositiva". Na avaliação do empresário, a medida vem ao encontro das reivindicações da classe industrial, que tem lutado de forma permanente para a queda dos juros, segundo Skaf. Para ele, o corte na queda dos investimentos significa redução de custos e, em conseqüência, desoneração de investimentos.Questionado sobre o ambiente de governabilidade, num eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá estar contaminado pelo escândalo do envolvimento de petistas na compra dossiê contra a oposição, Skaf limitou-se a dizer que, em período de eleições, não é possível falar sobre temas de governabilidade. "Vamos ver o que o povo brasileiro decide nas urnas, depois a gente fala sobre governabilidade", respondeu.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2006 | 19h49

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