Reduzir a exposição cambial dos bancos é um erro, diz Barros

´O BC está olhando os atores errados desse processo´, diz economista

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 16h46

O diretor-estrategista da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça de Barros, acredita que o Banco Central tomou uma medida inócua ao exigir que as instituições financeiras do País reduzam de 60% para 30% a exposição cambial do patrimônio de referência. "O BC está olhando os atores errados desse processo", disse o economista ao Conta Corrente, da Globo News.Ele considera que esse movimento de valorização da moeda atualmente estaria sendo comandado por investidores internacionais. "Eles estão provocando um movimento de convergência de taxas de câmbio do Brasil em relação a outros países emergentes."Para Mendonça de Barros, a questão do câmbio no Brasil é formada de dois canais: o comercial - já que a balança comercial continua com saldos crescentes -, e tem um canal novo com a queda de juros. Segundo ele, as medidas administrativas do Banco Central, além de demonstrarem uma tendência de intervenção, também teriam sido ruins por mostrar certo desconhecimento da dinâmica que está por trás do mercado. "Trata-se de um fenômeno muito mais profundo", afirmou o diretor-estrategista da Quest Investimentos. Atualmente o mercado já não olha mais a taxa Selic de 12%, mas de 10,2%-10,3%. "E essa queda acentuada dos contratos de prazo mais longo não é uma queda conjuntural, mas já é vista como estrutural."Onda de choquesO economista analisa que a economia brasileira sofreu dois choques nos últimos três anos. E um terceiro - o choque de investimentos - já estaria a caminho. O aumento na demanda de commodities favoreceu a balança comercial brasileira. "Criou um primeiro movimento, que é no sentido do fortalecimento da nossa balança de pagamento e da nossa moeda", frisou.Atualmente, vivemos, diz, o segundo choque provocado pelos investidores de fora. "É que os investidores internacionais, ao olhar a nossa estrutura de juros e a solidez da economia, perceberam que havia um grande desajuste e estão provocando uma correção rápida e muito forte."E esses dois choques estão provocando um terceiro, que é o que o ex-ministro Delfim Netto chama de reviver o "espírito animal" do empresário brasileiro. É que a redução dos juros futuros terá como conseqüência a viabilização de investimentos que estavam engavetados há anos. "E isso não tem nada a ver com a Selic; a correção se dá nos papéis de 3, 4, 5 e até dez anos", sustentou Mendonça de Barros. Para o economista, hoje há uma dinâmica microeconômica nova. "Mas não se sabe quanto tempo ela vai durar. A entrada de dólares pelo canal financeiro tem muito menos a ver com taxa de juros e muito mais a ver com esse ajuste no valor dos investimentos que nós temos no Brasil."Outros destaques da noiteO programa da Globo News destacou ainda que o dólar caiu quase 1% no primeiro dia de operação do mercado após o anúncio de medidas que restringem a exposição cambial dos bancos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as medidas são importantes porque diminuem o nível de alavancagem das instituições. Ele adiantou que compensações aos setores exportadores saem esta semana.O Jornal das Dez, da Globo News, teve como destaque que um deputado estadual, que já comandou a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, aparece como mais um envolvido na Operação Xeque-Mate.Já o Roda Viva, da TV Cultura, entrevistou o sociólogo e filósofo Ted Nelson. Theodor Nelson estabeleceu os conceitos básicos dos programas de navegação na Internet, mas atualmente tornou-se um crítico da rede mundial de computadores. Defende que a rede está ultrapassada, limitada e precisa de uma revolução.O destaque do Jornal da Globo foi a descoberta de que a ligação para Vavá partiu de outro irmão de Lula.

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