Reduzir risco país devia ser foco do governo, avalia consultor

O governo brasileiro deveria buscar estratégias que reduzissem o risco país (atualmente em 430 pontos) e a dívida pública. Dessa forma, a taxa de juros, hoje de 17,75% ao ano - mas que pode ser elevada em 0,5 ponto porcentual amanhã pelo Copom -, poderia ser reduzida. A análise é do consultor José Júlio de Senna. "Quando as pessoas avaliam a taxa de juros como alta, esquecem-se de que o risco país também é alto, o que acaba forçando a Selic para cima", afirmou Senna, diretor da MCM Consultoria e ex-diretor do Banco Central, em entrevista ao programa Conta Corrente, da "Globo News". Reduzir o risco país é tarefa do governo "e não do Banco Central", segundo o consultor. Além da preocupação com o risco Brasil, que diminui a confiança de investidores no País, Senna aponta que o Planalto tem de se preocupar em baixar sua dívida pública, não expandindo gastos "que vêm crescendo". O risco Brasil menor, na casa dos 250, 280 pontos, não impediria, na opinião dele, que o Banco Central cumprisse a meta de inflação de 5,1% para este ano. Ao contrário de parte do mercado, que aposta na alta de 0,5 ponto porcentual da Selic nesta semana, por conta de projeções de alta no IPCA, conforme pesquisa Focus, e de uma parada técnica indeterminada a partir de fevereiro, Senna acredita que os fatores que justificam a alta neste mês podem estar presentes em fevereiro. "Será uma encrenca se isso (efeitos que justificariam o aumento da taxa) ocorrer, porque o Copom pode se ver forçado a continuar elevando a taxa", avaliou. A pesquisa prevê IPCA de 0,61% em janeiro, por conta de reajustes nos transportes que serão feitos pelos prefeitos recém-empossados.

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