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Reduzir superávit primário já é consenso

Desenvolvimentistas, porém, acreditam na eficácia do estímulo fiscal, mas ortodoxos são céticos

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

A redução do superávit primário, como reação à crise econômica, já é bem aceita tanto por economistas desenvolvimentistas como por ortodoxos, num consenso raro no debate econômico no Brasil. Mas, enquanto os primeiros veem a queda do primário como peça de uma política fiscal anticíclica (que se contrapõe à contração) que pode ter um efeito significativo para relançar a economia, os ortodoxos são mais céticos - para eles, o espaço para estímulo fiscal é pequeno, e há riscos de se criar despesas permanentes que podem ser prejudiciais ao crescimento no médio e longo prazos."Ninguém vai sair de uma crise como essa apenas com política monetária", diz Ricardo Carneiro, do Instituto de Economia da Unicamp. Na verdade, ele acha a queda dos juros importante e considera que o Banco Central (BC) foi muito tímido no corte da Selic, a taxa básica, até agora. O problema, porém, para Carneiro, é que em situações como a atual, mesmo com os juros mais baixos, "nada garante que os bancos emprestem e as pessoas demandem mais empréstimos". Assim, ele continua, "a única garantia que existe de retomada do gasto na economia é a despesa pública, porque esta é certa".Segundo Carneiro, a estratégia ideal é levar rapidamente a Selic para a faixa de 8 a 8,5% (hoje está em 11,25%), reduzindo a despesa com juros do governo. Ele acha que o superávit primário, que exclui o pagamento de juros, poderia cair para 2,5% do PIB (a meta oficial ainda é de 3,8%), e o governo e as estatais elevariam o seu investimento de 3,5% para 5% do PIB (com o suporte do mapeamento de projetos realizado pelo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC). Com isso, o economista crê que o Brasil possa manter um ritmo de 3% de crescimento enquanto durar a recessão global.Esse receituário não está muito distante daquele defendido por economistas mais ortodoxos. Em entrevista a este jornal, publicada ontem, Armínio Fraga, ex-presidente do BC, disse que o governo "ganhou o direito" de utilizar a janela para investimentos do PPI e do Fundo Soberano, o que, na prática, reduziria o superávit primário de 3,8% para 2,8%. Quanto à Selic, há consenso, mesmo entre economistas conservadores, de que a taxa básica vai para um dígito em prazo relativamente rápido. A distância entre ortodoxos e desenvolvimentistas, portanto, reduziu-se a uma fração de ponto porcentual do PIB, no caso do superávit primário, e para não muito mais que 1 ponto porcentual, quando o assunto é a Selic.Por outro lado, os economistas mais conservadores notam que há um risco grande de que aumentos de despesas se tornem permanentes. Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander no Brasil, observa que 85% do orçamento federal é rígido, ligado majoritariamente ao pagamento de salários e aposentadorias. Para ele, mesmo com o PAC, o governo tem muita dificuldade de investir em obras públicas, que é a essência do estímulo keynesiano (do economista inglês John Maynard Keynes) à economia.Já Alexandre Marinis, da Mosaico Economia Política, admite que se reduza o superávit primário , mas, no caso brasileiro, "isso não adianta", porque não aumentará o investimento público. "No Brasil, esse dinheiro será usado para pagar reajustes e contratações de funcionários feitos de 2006 até agora." FRASESRicardo CarneiroEconomista da Unicamp"Ninguém vai sair de uma crise como essa apenas com política monetária" "A única garantia que existe de retomada do gasto na economia é a despesa pública"

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