Reestruturação da Varig terá dinheiro da TAP

A Varig elegeu a proposta da TAP para participar da primeira fase do processo de reestruturação, em uma operação que conta com o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo a empresa, a proposta da estatal aérea portuguesa prevê aportes iniciais de US$ 62 milhões, sendo dois terços financiados pelo BNDES, a serem depositados em conta vinculada para o pagamento de empresas de leasing no exterior. Além deste investimento, a TAP poderá realizar uma operação de antecipação de recebíveis, cujo valor ainda não foi definido.A TAP também manifestou interesse em participar da segunda fase do Plano de Reestruturação da Varig, com investimentos que podem chegar a US$ 500 milhões. A expectativa da Varig é de que o depósito na conta das empresas de leasing deverá ocorrer até o dia 8, véspera da próxima audiência com o juiz Robert Drain, da Corte de Falências de Nova York.Segundo fontes do setor, a escolha da TAP - em detrimento das propostas do fundo Matlin Patterson, do empresário German Efromovich e da empresa de manutenção européia ATS - se deveu ao fato de a empresa apresentar como garantia o próprio governo português.O anúncio da escolha da proposta da TAP evidenciou o clima de disputa entre o conselho de administração da Varig, presidido por David Zylbersztajn, e o conselho de curadores da Fundação Ruben Berta, controladora da companhia. À revelia dos curadores, a administração convocou uma coletiva de imprensa para o fim da tarde para anunciar o investidor. Mas a entrevista foi cancelada algumas horas depois num sinal, dizem pessoas próximas às discussões, de que a fundação teria desautorizado "o ato de insubordinação". "Estamos trabalhando num sistema que envolve ativos valiosos da fundação. Nessa linha, estamos num processo conjunto de posicionamento", minimizou o presidente do conselho de curadores, César Curi, ao ser questionado se a fundação havia retirado poderes do conselho de administração da Varig e porque ele, em vez de alguém da direção, estava comunicando a escolha pela TAP."A opção da direção era pelo fundo Matlin Patterson. Eles estão pegando carona na escolha da fundação e agora querem levar os louros", ataca a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio.Na sexta-feira, o Colégio Deliberante, instância máxima dentro da fundação, formado por 150 trabalhadores eleitos, se reúne para ratificar a proposta do BNDES.

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