Refeição fora de casa é o maior vilão da inflação

Item respondeu por 0,24 ponto da alta de 2,88% do IPCA de janeiro a maio

Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

Os principais vilões da inflação em 2008 são velhos conhecidos dos consumidores brasileiros e atendem pelo nome de refeição fora de casa, colégios, pão francês e aluguel. Segundo economistas, esses itens estão sendo reajustados porque a demanda aquecida abriu espaço para os repasses de aumentos de custos no País. Dos 384 itens pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do IPCA, apenas 20 foram responsáveis por 1,84 ponto porcentual, ou 63% da inflação acumulada de 2,88% de janeiro a maio deste ano.Mais do que apenas culpada pela inflação corrente, a pressão desse grupo traz consigo o perigo de contaminação da inflação futura. É o que pensam o economista da LCA Rafael Castro e o ex-diretor de política monetária do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, atual chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC).Entre essas influências, o primeiro lugar ficou com a refeição fora de casa, com aumento acumulado de 6,43% e contribuição de 0,24 ponto porcentual para a taxa acumulada no ano. Em seguida vêm os colégios (4,52% e 0,21 ponto); o pão francês (10,38% e 0,20 ponto) e o arroz (25,75% e 0,20 ponto)."A demanda está sendo alimentada pelo crédito, que ajuda a elevar o poder de compra e está pressionando a inflação de todos esses produtos", avalia Thadeu de Freitas. Segundo ele, o índice de difusão da inflação em 12 meses está subindo rápida e perigosamente e passou de 59% no IPCA de abril para 62% no índice de maio. Para Rafael Castro, a demanda sanciona o repasse de preços. "Não significa que há ganhos de margem, mas as empresas estão tentando manter as margens", diz. Para ele, o cenário de repasse "vai começar a contaminar outros preços na economia daqui para frente".Os dois economistas, entretanto, contabilizaram de forma diferente os riscos de contaminação nas previsões para a inflação de 2009, sobre as quais estão debruçadas as atuais preocupações do Banco Central.Enquanto Thadeu de Freitas estima um IPCA de 4,9% para o ano que vem, já acima do centro da meta, de 4,5%, Castro ainda acredita que a inflação oficial no ano que vem poderá não ultrapassar os 4,5% ambicionados pelo BC. Para o economista da CNC, a inflação iniciará 2009 em ritmo acelerado, após encerrar este ano em 6,4%, próxima do teto da meta de 2008 (6,5%). Os serviços, segundo ele, vão registrar alta de 6% no ano corrente. "Os serviços estão subindo mais rapidamente porque os alimentos pressionam esse grupo, já que interferem nos custos dos formadores de preços", explica. A exceção na trajetória dos preços ao consumidor em 2008, que deve impedir um descontrole maior da inflação, serão os bens de consumo duráveis sensíveis ao câmbio, como eletrodomésticos, que, para Thadeu de Freitas, vão registrar no ano deflação de 3,5%.De outro lado, os chamados "duráveis cíclicos", mais vinculados à demanda do que ao câmbio - como automóveis - vão subir 4% no período. Para Thadeu de Freitas e Castro, o maior vilão da inflação acumulada até o momento em 2008, o item refeição fora de casa, agrega os efeitos que estão impulsionando os grupos de alimentos e o de não-alimentícios.

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