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Refinaria de Lula e Chávez estoura prazos e preços

Petrobrás orçou em R$ 9 bi, mas as empresas pediram R$ 23 bi. Estatal fará novas licitações

David Friedlander, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

Concebida pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez como um monumento a uma suposta integração comercial entre Brasil e Venezuela, a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, mal saiu do papel e já vai custar mais do que a Petrobrás havia anunciado. A refinaria foi orçada pela estatal em cerca de R$ 9 bilhões. Feita a licitação da obra, no entanto, as empresas candidatas pediram um preço global de R$ 23 bilhões. Embora tente baixar esse valor, a Petrobrás admitiu ao Estado que seu orçamento ficou defasado e por isso o preço da refinaria vai aumentar. "O valor vai subir, mas não posso dizer quanto", afirmou Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da estatal e responsável pelo projeto."Estamos tentando reduzir, mas não vamos chegar aos R$ 9 bilhões. Esse é um preço de quase três anos atrás." Mas é possível que a construção da refinaria fique nos R$ 23 bilhões que as empresas pediram? "Todo esforço é para que fique abaixo disso", diz o diretor da Petrobrás.Lançada em 2005, a Refinaria Abreu e Lima tem um forte apelo sentimental para o presidente Lula. Além da ligação com Chávez (atualmente meio desvalorizada), a obra é uma das joias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), fica no Estado em que Lula nasceu e costuma ser apresentada por ele como prova de sua dedicação ao Nordeste.Desde que o projeto foi anunciado, Lula já esteve em Pernambuco pelo menos três vezes para lançar ou inaugurar a refinaria - duas vezes em companhia de Chávez. Pela ideia inicial, a Petrobrás teria 60% da refinaria e o sócio venezuelano, a estatal de petróleo PDVSA, teria 40%.Apesar disso tudo, até agora a refinaria não passou da fase de terraplenagem e tem se mostrado um poço de problemas: ficou mais cara, está atrasada e já não há garantia de que a PDVSA vá investir no negócio. Entregues pelas empresas no final do ano passado, as propostas vêsendo renegociadas desde então. De acordo com Costa, a estatal vai licitar novamente os dois lotes mais caros da obra. Um deles é a unidade de coqueamento, pelo qual a Camargo Corrêa pediu R$ 5,9 bilhões. O outro é a implantação das tubovias de interligações da refinaria, que custaria R$ 4,9 bilhões pela proposta da Queiroz Galvão.Segundo a Petrobrás, o resultado dessas licitações foi cancelado porque Camargo Corrêa e Queiroz Galvão não quiseram cortar seus preços. A nova licitação deve ocorrer dentro de um mês. Procuradas, as empreiteiras preferiram não se manifestar. A Petrobrás também pode cancelar e licitar novamente a unidade de hidrotratamento e a torre de destilação. No momento, a estatal discute com as empreiteiras OAS e Odebrecht a redução do preço pedido, de R$ 6,8 bilhões ao todo. "Se não houver acordo, vamos cancelar e licitar novamente", disse Costa.Segundo executivos das empresas envolvidas nas negociações, é possível que a Petrobrás simplifique especificações técnicas e retire algumas exigências para baratear o projeto. Ao todo, a Petrobrás está renegociando contratos no valor de quase R$ 18 bilhões. Apesar dos problemas nos lotes principais, ontem a Petrobrás assinou cinco contratos menores, no valor global de R$ 2,8 bilhões. Inicialmente prevista para operar no ano que vem, na melhor das hipóteses Abreu e Lima só entrará em funcionamento em 2011. Isso significa que o presidente Lula, apesar de todo seu interesse no projeto, não vai entregá-lo funcionando. A parceria da Petrobrás com a PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo, também está emperrada. Abreu e Lima terá capacidade para processar 200 mil barris por dia, para abastecer as Rregiões Norte e Nordeste.Há duas divergências entre os candidatos a sócios: a PDVSA deseja vender no Brasil sua parte da produção da refinaria, com autonomia na política de preços, e a Petrobrás não concorda. Além disso, a estatal brasileira também não aceita os critérios para fixação do preço que a refinaria deverá pagar ao importar petróleo venezuelano.CRONOGRAMA Obra do PAC: Lançada em 2005, a refinaria de Abreu e Lima é uma das joias do PAC. Costuma ser apresentada por Lula como uma prova de sua dedicação à região Nordeste Pós-mandato: A previsão inicial era de que a refinaria começasse a operar em 2010. Agora, na melhor das hipóteses, só ficará pronta em 2011. Ou seja, não ficará pronta no mandato de Lula

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