''Refinaria no Maranhão é viável''

Gabrielli ainda é evasivo, mas Lobão diz que Lula já optou pelo Estado

Nicola Pamplona, Kelly Lima e Wilson Lima, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2008 | 00h00

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, afirmou ontem que os estudos sobre a localização da nova refinaria brasileira "indicam o Maranhão" como área mais viável do ponto de vista técnico. O Estado já havia sido apontado como provável sede, em entrevista do ministro de Minas e Energia, o maranhense Edison Lobão, há duas semanas. A declaração, porém, causou mal-estar na empresa, que ainda não fez um anúncio oficial sobre o projeto, batizado de Refinaria Premium.Alguns dias após a entrevista de Lobão, o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, evitou comentar as declarações do ministro, mas comentou que o projeto, com a definição do local, ainda não havia sido concluído. Em entrevista ontem, após o anúncio de encomendas à indústria naval, Gabrielli disse que "os estudos estão sendo concluídos, etapas estão sendo feitas e as etapas dos estudos até agora indicam o Maranhão". Especula-se que o Estado disputa o investimento com o Ceará.Ontem Lobão confirmou que a refinaria de petróleo será construída em São Luís (MA), a partir de 2009. O ministro faz o anúncio na abertura do Fórum dos Setores Energético e Mineral, na capital maranhense, e acrescentou que a decisão foi do presidente Lula.A intenção do ministro é que a refinaria seja instalada nas proximidades do Porto do Itaqui, a cerca de 15 km do centro de São Luís, aproveitando, segundo ele, a "localização especial" do complexo portuário. "Essa refinaria vai fazer uma transformação econômica no estado do Maranhão", disse Lobão, em sua primeira visita ao Maranhão como ministro de Minas e Energia.No Rio, Costa afirmou ontem que a refinaria terá capacidade para processar 600 mil barris de petróleo por dia, com o objetivo de produzir combustíveis de alta qualidade para os mercados americano e europeu. "Não queremos que o Brasil se torne um grande exportador de petróleo, mas de derivados." Com a nova refinaria, a empresa espera agregar valor às exportações, que tendem a crescer rapidamente após as descobertas abaixo da camada de sal na Bacia de Santos.Segundo Lobão, o investimento na nova refinaria será de U$$ 20 bilhões. Caso o projeto seja de fato seja concretizado, será a maior refinaria do Brasil, já que as atuais têm capacidade de refino de 200 mil barris por dia. O prazo de conclusão da obra é de cinco a seis anos.No anúncio de ontem, Lobão não falou da possibilidade de construção de outra refinaria. "Estamos apenas elaborando os estudos finais para saber a capacidade, as dimensões, e onde será melhor instalar. Mas ela será construída aqui no Maranhão. As obras dependem apenas da expedição das licenças ambientais.".O Brasil tem hoje duas refinarias em construção. A primeira, em Pernambuco, terá capacidade para 200 mil barris de petróleo por dia e é uma parceria com a venezuelana PDVSA. A segunda, no Rio, é um misto de refinaria e pólo petroquímico e vai transformar petróleo pesado da Bacia de Campos em matéria-prima para a indústria de plásticos. A empresa estuda ainda outra unidade, para acompanhar o crescimento da produção nacional de petróleo.

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