Geraldo Falcão/Petrobrás
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Refinarias da Petrobrás reduzem produção de combustíveis e priorizam gás de cozinha, diz ANP

Agência reguladora não informou o tamanho da queda, provocada pela demanda menor durante a pandemia; sindicato diz que recuo foi de 50% e culpa política de preços da empresa

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 10h16

RIO - A queda abrupta da demanda por combustíveis durante a pandemia do novo coronavírus causou forte redução no fator de utilização das refinarias da Petrobrás, que agora priorizam a produção de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha, para abastecer o mercado interno, além de importar o insumo, disse o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Felipe Kury.

Sem citar o tamanho da queda nas refinarias, Kury repetiu dados já confirmados pelo presidente da estatal, Roberto Castello Branco, de acentuadas quedas no consumo de querosene de aviação (84%), gasolina (35%) e diesel (22%), em um webinar promovido na noite de quinta-feira, 16, pela agência epbr.

"Em função da mudança do comportamento na vida de todos, houve um grande aumento na procura de GLP, que chegou a faltar, mas na próxima semana deve ter o abastecimento normalizado", disse o executivo da agência reguladora do setor. "Temos missão de preservar o abastecimento."

De acordo com a última informação da Petrobrás, em março, as refinarias operavam com utilização da capacidade de 76% no ano passado, fator que caiu para 74% este ano. "O que precisa é o mercado voltar a crescer, para o produtor poder escoar os estoques, que estão muito altos", informou Kury.

Protestos

A redução da produção das refinarias da Petrobrás acompanha a demanda do mercado interno, mas tem provocado o protesto da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que iniciou campanha pelas redes sociais pedindo a saída do presidente da companhia(#ForaCastelloBranco).

Em pequenos vídeos na porta das refinarias da empresa espalhadas pelo País, sindicalistas denunciam queda de até 50% na produção das unidades e culpam a atual política de preços da empresa, que preserva a paridade com o mercado internacional.

A Fup defende que os preços sejam reduzidos em benefício da população em meio à crise do coronavírus, além de fornecimento de combustíveis grátis ou com subsídio para ambulâncias, bombeiros e outros veículos que estejam trabalhando no combate à pandemia.

De acordo com Iran Gonçalves, presidente do Sindipetro-Ceará/Piauí, a estatal parou todas as plataformas de produção de petróleo no Ceará e isso afetará a economia de vários municípios que dependem dos royalties da commodity. Além disso, afirma que 400 trabalhadores ficarão sem emprego.

Segundo a Petrobrás, todos os empregados das 62 plataformas que irão hibernar em função da crise provocada pela pandemia serão realocados e terão opção de aderir ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) se não concordarem com a transferência.

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