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‘Reforma da Previdência ajuda bastante o Brasil’, diz presidente da Via Varejo

Executivo que assumiu a dona da Casas Bahia após família Klein virar principal acionista do negócio diz que ‘tem muita coisa a fazer’ para revitalizar líder do setor de eletrodomésticos

Entrevista com

Roberto Fulcherberguer, presidente da Via Varejo

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 12h11

Há pouco menos de um mês no comando da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer chegou ao cargo logo depois de o empresário Michael Klein, da família fundadora da Casas Bahia, ter se tornado o principal acionista do negócio, após dois anos de tentativas de venda por parte do Grupo Pão de Açúcar (GPA), controlado pelo gigante francês Casino. “Tem muita coisa a fazer”, admitiu ele, em conversa com o Estado nesta segunda-feira, 15. 

Segundo o executivo, no entanto, algumas mudanças serão sentidas no curto prazo: “Descobrimos um 'pool' de dados de 70 milhões de pessoas que não estava sendo usado, não me pergunte a razão”, disse Fulcherberguer. Ele disse também que algumas mudanças vão ser sentidas no site da dona da Casas Bahia e do Ponto Frio. “A pessoa tinha de clicar quatro vezes para dizer que não queria garantia estendida de um produto. Estamos mudando isso.”

Em relação à economia, ele diz que a reforma da Previdência, aprovada em primeiro turno na semana passada, “ajuda bastante o Brasil”. “Ela não vai mudar o País da água para o vinho, mas destrava um grande volume de investimento.”

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

O que dá para mudar na Via Varejo no curto prazo?

A prioridade zero é estabilizar o negócio (a empresa deu prejuízo em 2018). Parte desse trabalho é mais fácil, parte é de longo prazo. O cliente tinha de dar três ou quatro cliques para dizer que não queria garantia estendida. Estamos mudando isso, deixando o caminho de venda mais simples. Isso dá para corrigir no curtíssimo prazo. Em paralelo, estamos fazendo planos de médio e longo prazos, de redesenhar todo o negócio. 

Por estar à venda há quase dois anos, a Via Varejo ficou meio de lado? Por isso tem tanto a fazer?

Tem muita coisa a ser feita, mas muita coisa já feita e que não estava sendo usada. Por exemplo: eu descobri que temos um “data lake” (pool de dados) de 70 milhões de consumidores, sendo 25 milhões ativos. Não me pergunte a razão, mas isso não estava sendo usado. O pessoal do marketing já está trabalhando nisso, em buscar uma forma mais simples de nos relacionarmos com o consumidor. Isso já pode tornar a venda mais ágil. Tem muita coisa que ficou na prateleira, até porque a gente teve problema na Black Friday, ficando fora do ar.

O que vai mudar nesse primeiro momento? O online vai ser prioridade?

Tudo acontece em paralelo. A gente vê que tem possibilidade de melhoria nas lojas. Fora dos grandes centros, porém, nossas lojas não são piores que a média da concorrência, estão iguais. Mas tem oportunidade de melhorar, porque as nossas lojas tradicionalmente eram melhores do que as da concorrência. Mas o investimento não vai ser nada desproporcional.

O Magazine Luiza tem 38% das vendas na internet e a Via Varejo, 19%. Essa é uma meta a perseguir?

Proporcionalmente, isso é correto, mas tenho o mesmo volume de vendas na web do Magazine Luiza, porque, no geral, faturo R$ 10 bilhões a mais por ano. Mas não vamos crescer a proporção do online qualquer custo, vamos fazer com o pé no chão. O ‘market place’ (que agrega outros vendedores à plataforma) vai ter uma seleção criteriosa, para ver se o vendedor tem confiabilidade para usar a minha marca.

E a marca Ponto Frio, pode ser desativada?

Estamos estudando todas as possibilidades. Não há nenhuma decisão nesse sentido.

Existe ainda espaço para crescer em lojas físicas?

Estamos bem distribuídos, com mais de mil lojas. Mas ainda cabe expansão no Norte e Nordeste. É um plano que está sendo desenhado.

E a reforma da Previdência, ajuda?

A reforma da Previdência, sem dúvida nenhuma, ajuda a destravar bastante coisa. Ela não vai mudar o País da água para o vinho, mas destrava um grande volume de investimento, ajuda bastante o Brasil.

Esperamos que logo venha a reforma tributária também.

E o marketing da empresa, vai mudar?

Vamos remodelar completamente o marketing da empresa. E também o relacionamento com os fornecedores da Via Varejo está resgatando o modelo de parceria de longo prazo. Tem muita coisa sendo mexida, e muito a mudar. Faremos grandes melhorias. 

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