Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Cautela com discussões na Câmara provoca queda na Bolsa

Após resultado recorde na quarta-feira, puxado pelo otimismo com a reforma da Previdência, mercado financeiro espera a definição da votação dos destaques que podem mudar o texto-base aprovado pelos deputados

Karla Spotorno, Maria Regina Silva e Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2019 | 08h50
Atualizado 11 de julho de 2019 | 13h05

Depois de um dia de resultado recorde, a Bolsa brasileira teve uma manhã de queda nesta quinta-feira, 11, num misto de cautela com a espera pela votação dos destaques da reforma da Previdência na Câmara e alguma realização dos lucros. O dólar tem alta em relação ao real.

Às 12h40, o Ibovespa, principal índice da B3, a Bolsa de São Paulo, tinha queda de 0,67%, chegando aos 105.103,08 pontos. Mais cedo, chegou à mínima de 104.830, 58 pontos. No mesmo horário, o dólar era cotado a R$ 3,7622, com alta de 0,14%. A moeda americana chegou à mínima de R$ 3,7341, com recuo de 0,60%, nesta manhã.

De forma geral, o ambiente segue positivo no mercado ainda sob efeito do placar de aprovação do texto-base da reforma na noite de quarta-feira, mas alguns investidores entendem que os preços domésticos já se valorizaram bastante antes da votação e, assim, exigem algum ajuste para baixo.

Segundo relatório do Bank of America Merrill Lynch, as mudanças na Previdência estão um "passo mais perto" de se tornar realidade com uma esperada economia fiscal ao redor de R$ 900 bilhões em dez anos.

O Credit Default Swap (CDS) do Brasil, um termômetro importante do risco país, atingiu o menor nível desde setembro de 2014, chegando aos 128 pontos nesta quinta. Para profissionais do mercado financeiros, otimismo com a reforma e a possibilidade de corte de juros nos Estados Unidos contribuem para essa melhora do risco no Brasil.

Na Bolsa, ao contrário da véspera, nesta quinta a maioria dos papéis do Ibovespa tem queda, com destaque para o setor bancário. Às 12h52, recuavam Itaú PNA (-0,75%), Bradesco ON (-1,45%), Bradesco PN (-1,49%) e Banco do Brasil ON (-1,70%). Em contrapartida, Eletrobrs PNB tinha alta de 1,33% e ON, 2,45%, bem como as ações da Petrobrás (PN: 0,89% e ON, 114%).

Sabesp ON liderava os ganhos (4,12%), após o governador de São Paulo, João Doria, ter afirmado, em Londres, que a privatização da empresa é a melhor opção.

Deputados ainda discutem pontos da reforma da Previdência

O plenário da Câmara vai discutir ainda nesta quinta-feira os destaques que podem desfigurar o texto-base aprovado na quarta-feira, com 379 votos. Há 18 destaques para serem apreciados e o temor é de que alguns pontos da reforma provoquem perda na economia prevista.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avalia que o fim da votação em segundo turno pode acontecer nesta sexta-feira ou até mesmo no sábado pela manhã. Para líderes, no entanto, a conclusão da votação da reforma da Previdência não está mais garantida nesta semana.

A expectativa de aprovação do texto-base empolgou os mercados na quarta: o Ibovespa renovou recorde, fechando acima dos 105 mil pontos, o dólar à vista caiu para o nível de R$ 3,75 e importantes fundos de índices (ETFs, na sigla em inglês) do Brasil no exterior também subiram e seguem valorizados nesta quinta. 

O principal ETF brasileiro negociado na Bolsa de Tóquio, o Next Funds Ibovespa Linked ETF, fechou com ganho de 0,90% nesta quinta e, na Europa, os ETFs sobem mais de 1% no mercado alemão nesta manhã. 

A expectativa de analistas do mercado é que, após a aprovação da reforma, o governo anuncie medidas para destravar a economia e o Copom inicie um novo ciclo de corte de juros - a Selic está em seu nível mais baixo, em 6,50% ao ano, e já há projeções de que pode chegar a 5,50% ao ano ainda em 2019.

Os investidores devem monitorar ainda os resultdos do varejo brasileiro em maio, que serão divulgados nesta manhã e podem reforçar o quadro anêmico da atividade, realimentando as estimativas de queda da taxa Selic no fim deste mês. 

Veja como cada deputado votou na reforma da Previdência.

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