Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Reforma da Previdência não terá aprovação fácil e será menor do que governo gostaria, diz Maia

Para o presidente da Câmara, o 'incêndio fiscal' vivido pelo País vai piorar a partir de 2019 caso a medida não avance no Congresso

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 16h52

RIO – A reforma da Previdência deverá ser menor do que a esperada, como todas as outras que viraram "minirreformas", e não será fácil nem simples de ser aprovada, disse nesta sexta-feira, 29, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em encontro com reitores de universidades e instituições de pesquisa no Rio.

"Todas as reformas estão sendo menores do que a gente gostaria, e a da Previdência já é menor do que o governo gostaria", disse em evento no Rio para discutir ajuda ao Estado com reitores de universidades e instituições de pesquisa. "Vamos ver o que vamos conseguir até o final de outubro, não é fácil, não é simples", completou.

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Maia voltou a defender a necessidade de alterar as regras previdenciárias e fez avaliação que, o que chamou de “incêndio fiscal” vivido pelo País vai piorar a partir de 2019 caso a Previdência não seja reformada.

Segundo a Universidade Federal do Rio de Janeiro, as 63 universidades federais do Brasil somam um déficit de R$ 5 bilhões. Maia prometeu ajuda no curto prazo para as localizadas no Rio, mas ressaltou que é preciso olhar no longo prazo e por isso é importante aprovar a reforma da Previdência.

"Quando a gente fala que o déficit da Previdência atrapalha a vida das pessoas, é que com isso temos menos investimentos em ciência e tecnologia, em educação, por isso eu chamo de 'incêndio fiscal', se nós não fizermos a reforma do Estado brasileiro, o mínimo que seja agora, e uma mudança profunda na próxima legislatura, estamos inviabilizando investimentos em áreas fundamentais no País", afirmou.

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Ele lembrou que só entre este ano e o próximo o déficit da Previdência aumentará em R$ 50 bilhões. Na reunião com as universidades, ele estima que a ajuda seria entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. "Claro que vamos resolver (universidades e pesquisa), no curto prazo vamos dar uma solução em conjunto, e no médio e longo prazo vamos continuar com a nossa defesa, o governo federal não pode ter mais um Orçamento desse tamanho, de trilhão de reais, e não ter investimento com educação", explicou.

Disputa partidária. Maia reconheceu dificuldades entre seu partido, o DEM, e o PMDB, partido do presidente Michel Temer, mas assegurou que esse abalo não terá impactos na forma de os parlamentares do DEM votarão no Congresso.

“Não misturo os temas. Vocalizo minha preocupação na relação do PMDB com o DEM. Temos nossos problemas que não estão resolvidos, mas não é isso que vai fazer a gente mudar a postura no que acreditamos, como reforma da Previdência”, assegurou. “Não vamos mudar de opinião porque A ou B, ou o presidente do PMDB tem trabalhado de forma hostil contra o DEM.”

A relação entre as duas siglas estremeceu após a filiação ao PMDB do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho (PE). Ambos chegaram a negociar a mudança do PSB para o DEM, mas acabaram se filiando ao partido de Temer.

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'Árbitro'. Sobre a votação da segunda denúncia contra o presidente que tramita na Câmara, Maia voltou a dizer que atuará como árbitro neste processo, sem se posicionar contrária ou favoravelmente ao andamento. Ele também se esquivou de analisar se o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), escolhido relator da denúncia, se colocará a favor ou contra Temer.

“O deputado Bonifácio é um homem sério, sem mácula e não tenho como avaliar se ele foi escolhido como relator por ser contra ou a favor do presidente”, disse. “Tenho certeza de sua independência necessária para dar seu voto e não me preocupo com isso.”/COM INFORMAÇÕES DA REUTERS

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