Divulgação
Divulgação

Reforma da previdência será melhor para o próximo presidente, diz Mansueto

Secretário da Fazenda afirma que, se as mudanças não forem feitas durante esse governo, não há dúvida de que será a primeira medida do próximo presidente

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 12h31
Atualizado 18 Outubro 2017 | 16h21

BRASÍLIA -   O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, alertou nesta quarta-feira, 18, que a realização agora da reforma da Previdência será melhor para o próximo presidente da República que suceder Michel Temer. Em audiência no Tribunal de Contas da União (TCU), Mansueto destacou que, se as mudanças não forem feitas durante esse governo, não há dúvida de que será a primeira medida do próximo presidente.

Numa forte defesa das mudanças nas regras da Previdência, o secretário destacou que não fazer a reforma agora não é o fim do mundo, mas quanto mais cedo o Congresso aprová-la melhor para o Brasil e as finanças públicas.

Segundo ele, os políticos são necessários para que as reformas sejam feitas. “Precisamos fazer as reformas e precisamos do Congresso. Precisamos de políticos”, disse. Ele ressaltou que a solução para os problemas da economia brasileira não virá do debate técnico, mas sim político.

++ Deputados querem votar Previdência mais enxuta

Para ele, não haverá ajuste fiscal no Brasil se não forem feitas as reformas, principalmente a da Previdência. Mansueto destacou que o governo tem feito um dever de casa, mas esbarra no tamanho elevado das despesas obrigatórias que hoje já são maiores do que toda a arrecadação. Ele citou que se o governo parasse de fazer os investimentos e mandasse os funcionários para casa, mesmo assim, não haveria recursos suficientes. Mansueto ponderou, no entanto, que há grande espaço para melhorar o gasto público, mas que o País terá que enfrentar o debate da necessidade de redução das despesas obrigatórias.

“Hoje, o Brasil gasta com Previdência mais do que Japão. E daqui a 40 anos seremos o Japão (em termos de envelhecimento da população”, ponderou. Segundo ele, o país que mais gasta com Previdência despende de 16% do PIB. Já o Brasil gasta 13% do PIB. “Essa dinâmica e insustentável”, afirmou.

Na mesma audiência, o ministro do Plenajamento Dyo Oliveira disse que há uma janela de "pauta" da reforma da Previdência este ano, depois da votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. Ele defendeu a aprovação da reforma sem Plano B. Ou seja, sem a redução do alcance das mudanças nas regras da Previdências no texto que tramita na Câmara

“Desejamos que seja aprovado o máximo possível”, avaliou. O ministro disse que o governo está disposto a enfrentar o debate, apesar da proximidade das eleições, e tem conversado com os líderes no Congresso. “A Previdência está consumindo todo o orçamento. Quanto antes fizermos, mais suave será fazer antes”, avaliou. Na sua avaliação, deixar a aprovação da reforma para depois levará à explosão da “barragem”.

++ Quanto mais se atrasar a Previdência, mais duro terá de ser a reforma, diz Mansueto

“Não terá mais jeito. Será a reforma dura de verdade”, disse o ministro. Ele reconheceu que o espaço político é pequeno para a aprovação. “Em muitos lugares a preocupação sobre eleição é elevada. Mas o governo não tem pretensão de reeleição”, afirmou.

Segundo ele, a agenda continuará concentrada em fazer a reforma que o País precisa. “Não existe crescimento sem equilíbrio econômico. Um estado quebrado não é ambiente para o crescimento econômico”, avaliou. Oliveira acrescentou ainda que não tem economia em governos de direita ou esquerda que deu certo com contas quebradas.

 

O ministro do TCU José Múcio Monteiro destacou que poderá acontecer no Brasil o que ocorreu no Rio de Janeiro e que não vê nenhum senador ou político preocupado problema fiscal do País. “Poderemos ter 27 rocinhas. Cada uma com o seu sotaque”, disse Múcio numa referência aos problemas de segurança enfrentados numa das maiores comunidades da América Latina. Para o ministro, os políticos estão só preocupados em serem reeleitos nas próximas eleições. Repetindo avaliação do ex-ministro Delfin Netto, Múcio disse que as reformas serão “compulsórias" devido à difícil situação fiscal do País. (Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli)

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.