Reforma de Obama e aperto na China seguem em foco

Adicionalmente, investidores seguem preocupados com a situação fiscal da Grécia

Daniela Milanese, da Agência Estado,

22 Janeiro 2010 | 07h41

A reforma dos bancos proposta por Barack Obama e a possibilidade de aperto monetário na China permanecem como principais focos de atenção dos investidores internacionais. Se a agenda calma de hoje dá um descanso depois de uma semana intensa, não é possível baixar a guarda diante das informações emitidas pelos dois gigantes econômicos. Ainda mais com a presença constante dos temores com a situação fiscal da Grécia.

 

Após mais uma onda de aversão ao risco, as bolsas europeias e as commodities continuam emitindo sinais de cautela nesta manhã. A instabilidade gerada pelos fortes dados divulgados pela China ontem, que alimentaram os receios de aperto monetário, ganhou impulso à tarde com o anúncio das propostas da Casa Branca, que visam limitar o tamanho e a tomada de risco dos bancos. Como não poderia deixar de ser, as novidades ganham ampla repercussão no cenário internacional - e críticas dos economistas de instituições financeiras.

 

O fato é que o presidente dos Estados Unidos reage à fúria popular existente hoje contra os bancos, apontados como os responsáveis pela maior crise desde a Grande Depressão. Os bilhões de dólares recebidos como ajuda, os polpudos bônus distribuídos para os executivos e os fortes ganhos do mercado financeiro dos últimos meses compõem o quadro de descontentamento popular com Wall Street.

 

O anúncio da Casa Branca veio no mesmo dia em que o Goldman Sachs anunciou lucro líquido de US$ 4,95 bilhões no quarto trimestre de 2009. Tudo isso enquanto as famílias norte-americanas lutam contra o desemprego e as dificuldades de crédito.

 

"Minha decisão de reformar o sistema se fortalece quando vejo um retorno a velhas práticas em algumas das firmas que estão combatendo a reforma e quando eu vejo lucros recordes em algumas das firmas que alegam que não podem emprestar mais para pequenas empresas, não podem manter os juros do cartão de crédito baixos e não podem restituir os contribuintes para ajuda", disse Obama ontem.

 

Analistas já preveem que as discussões sobre a reforma devem ficar presentes por muitos meses. "Uma regulação mais apertada é algo garantido como resultado da crise financeira, mas a estabilidade econômica e do mercado não deveria ser tomada como certa", escreve Julia Coronado, do BNP Paribas.

 

Enquanto acompanham os desdobramentos das propostas da Casa Branca, os analistas começam a refazer as perspectivas sobre o aperto monetário na China, outro ponto de temor do momento. O HSBC, por exemplo, já acredita que uma alta dos juros pode vir no segundo trimestre deste ano - apesar de a maior parte das casas ainda esperar mudança somente no segundo semestre.

 

Na Europa, o clima de instabilidade criado pelas dificuldades da Grécia une-se à avaliação de que a economia da região está esfriando, depois de conseguir sair da recessão recentemente. "A economia da zona do euro ainda está crescendo, mas com o freio de mão puxado", diz Christoph Weil, economista do Commerzbank. Nova medida do ritmo da recuperação do bloco vem hoje, às 8 horas (de Brasília), com as encomendas à indústria em novembro.

 

Em artigo na edição de hoje do Financial Times, o presidente do BC da Grécia, George Provopoulos, descarta a saída do país da zona do euro e argumenta que será mais fácil resolver os problemas dentro do bloco. "A Grécia não será tentada por essas opções de curto prazo, mas irá empreender os ajustes necessários e audaciosos."

Às 7h30 (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,09%), Paris (-0,14%) e Frankfurt (-0,33%) oscilavam perto da estabilidade.

 

O euro subia 0,14%, para US$ 1,4144, e a libra caía 0,08%, para US$ 1,6197. Na comparação com o iene, o dólar tinha alta de 0,39%, a 90,33 unidades.

No mesmo horário (acima), o petróleo registrava ganho de 0,38%, para US$ 76,37, no pregão eletrônico da Nymex.

 

Nenhum indicador econômico está previsto nos EUA nesta sexta-feira. A safra de balanços prossegue com GE e McDonald's.

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