Reforma faz WestLB mudar recomendação para papel brasileiro

O debate da reforma na Previdência Social, que se acirrou nos últimos dias, começa a ter efeito sobre a percepção dos investidores internacionais em relação ao Brasil. O banco alemão WestLB, após manter durante meses um recomendação de maior exposição aos papéis da dívida brasileira, aconselhou hoje os seus clientes a assumirem um posição ?neutra? em relação ao País. O analista senior do WestLB, Larry Brainard, explicou que o banco não utiliza uma estrutura de recomendação formal de exposição aos seus clientes (?underweight?, ?neutral? ou ?overweight?). ?Mas o Brasil ocupava o topo da lista de nossas recomendações para emergentes e agora estamos aconselhando uma posição mais cautelosa?, disse Brainard à Agência Estado. O economista lembrou que o West LB foi um dos primeiros bancos internacionais a recomendar uma maior exposição ao Brasil após a turbulência eleitoral do ano passado. ?O barulho causado pela reforma previdenciária já começou, deve aumentar e isso poderá ter um impacto sobre os papéis do País. É preciso ser realista, em qualquer País o processo de reformas gera debate e barulho?. Otimismo exagerado Segundo o economista, nas últimas semanas os investidores têm demonstrado um otimismo exagerado sobre as perspectivas de estabilidade política de curto prazo no Brasil ?valorizando demasiadamente e rapidamente demais os preços do País?. Isso, segundo ele, ?parece estar tendo um efeito de tiro pela culatra para aqueles que recentemente compraram ativos do País?. Brainard ressaltou também que, no longo prazo, o West LB continua ?positivo? em relação ao Brasil. ?Nós ainda mantemos a nossa previsão de que as reformas, com certas concessões, serão aprovadas com sucesso no Congresso Nacional até outubro?, disse. ?Mas entre agora e outubro, provavelmente haverá uma boa dose de volatilidade nos preços da dívida enquanto as reformas tramitarem pelo Congresso.? Além disso, segundo ele, ?ninguém pode descartar a possibilidade de futuras trapalhadas do governo Lula?.

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