Reformas ajudam México em relação ao Brasil, diz S&P

Para agência de classificação de risco, país leva vantagem e é hoje a principal aposta dos investidores na América Latina

Altamaro Silva Júnior, Correspondente - O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2014 | 02h07

NOVA YORK - Os principais fatores que diferenciam hoje o Brasil e o México são as reformas estruturais e o ambiente político, avalia o diretor responsável por ratings soberanos da agência de ratings Standard & Poor's (S&P), Roberto Sifon-Arevalo. Enquanto as reformas avançam na economia mexicana e o ambiente político é menos incerto, no Brasil elas estão praticamente estagnadas e a incerteza é maior.

"O México também está crescendo pouco, como o Brasil, mas tem tentado resolver essa questão fazendo reformas estruturais", disse ontem o diretor numa conferência pela internet da S&P Capital IQ, uma espécie de consultoria da S&P, para comentar perspectivas para a América Latina.

O México tem avançado em reformas fiscais, do mercado de trabalho e em setores como energia, telecomunicações e financeiro. "E isso é uma diferença muito substancial que se reflete nos ratings dos dois países", disse ele. Enquanto a S&P elevou a nota soberana do México em dezembro, o rating brasileiro foi colocado em perspectiva negativa em junho do ano passado, indicando que a nota pode ser rebaixada.

Para o economista-chefe do banco mexicano Banorte-Ixe, Gabriel Casillas, que participou da mesma conferência, além da agenda de reformas avançar no México, o país tem menos incertezas políticas. No Brasil, avalia, tem havido constantes mudanças de direção que confundem os investidores e aumentam a incerteza. Outro ponto desfavorável, destaca ele, é a maior dependência do Brasil da China, que está com a economia desacelerando, o que tem feito os preços das commodities cair. Já o México é mais dependente dos Estados Unidos, que têm perspectivas de acelerar a recuperação este ano.

Há dois anos, diz o economista, o cenário era diferente. Só se falava do Brasil e a economia mexicana ficou esquecida nas apostas dos investidores internacionais, diz ele. Agora é o inverso, e o México é a principal aposta na América Latina.

Moody's. A reduzida liquidez global originada pela gradual redução de estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) está tendo impacto limitado nas métricas de crédito dos países emergentes, disse a agência de classificação de risco Moody's, em relatório.

Segundo a agência, que ontem elevou a nota mexicana, o impacto do "tapering" varia de país a país, mas aqueles com desequilíbrios externos ou dependência de financiamento estrangeiro são mais vulneráveis. Para a agência, esse não é o caso do Brasil. Para a Moody's, o Brasil não tem sido afetado pelo Fed até agora porque iniciou seu ciclo de aperto monetário muito mais cedo do que outros países - e logo antes de o BC americano anunciar, em maio de 2013, o plano de reduzir estímulos.

O relatório afirma também que, no caso da Rússia, o superávit em conta corrente e as reservas cambiais protegeram o país do aperto na liquidez global. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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