André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

'Reformas de maior profundidade têm que ser feitas pelo próximo presidente', diz Eunício

Para o presidente do Senado, é preciso eleger o próximo presidente da República antes que o Congresso volte a discutir matérias como reforma da Previdência

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2018 | 16h46

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), defendeu nesta quarta-feira, 10, que é preciso eleger o próximo presidente da República antes que o Congresso volte a discutir matérias como a reforma da Previdência ou questões de orçamento.

Para Eunício, "não é adequado" discutir esses assuntos agora, mas somente após o dia 28 de outubro, data marcada para o segundo turno das eleições presidenciais.

"Acho que as reformas de maior profundidade têm que ser feitas pelo próximo presidente, ele é quem vai governar o país por quatro anos. Fazer reformas agora não sei nem se será adequado. É preciso ter um pouco de calma, aguardar o dia 28 (de outubro). Aí vamos saber quem será o presidente e no dia seguinte a gente começa a discutir reformas, matérias, orçamento", disse.

Eunício já havia dito, na segunda-feira, 8, ao Broadcast, que "muito dificilmente" a Casa irá votar, por exemplo, nesta semana o PLC 77/2018, que destrava o processo de privatização das distribuidoras da Eletrobrás. Antes do primeiro turno das eleições, o vice-líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), defendia que a matéria fosse votada no primeiro esforço concentrado do Senado após o primeiro turno das eleições, ou seja, a partir desta terça-feira, 9.

A aprovação desse projeto de lei que resolve pendências da distribuidora Amazonas Energia, da Eletrobrás, e é fundamental para que seja possível privatizá-la até o fim deste ano. Mas a derrota nas urnas de alguns dos principais líderes do MDB pode atrapalhar os planos do governo do presidente Michel Temer. Eunício Oliveira, inclusive, não foi reeleito e só ficará no cargo até o fim de janeiro de 2019. No início da semana, ele divulgou um comunicado no qual anuncia que irá "recolher-se à vida pessoal".

No mesmo dia, o presidente do Senado disse à reportagem não irá pautar reforma da Previdência "de ofício", algo esperado pelo mercado e desejado pela equipe econômica do governo. No domingo, Eunício Oliveira já havia adiantado que não concorda com a apreciação da pauta sem o aval do novo presidente da República. 

"Reforma da Previdência não é para tirar direitos de pobres, não é para tirar o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Não posso aceitar que o mercado dirija os rumos da nação. Não conheço esse mercado, não recebi votos dele", criticou. "Eu acho que a reforma deve ficar para o próximo presidente e esse presidente (eleito) tem de botar a cara, dizer o que ele quer e para que ele veio".

Punição para fake news

Eunício também defendeu nesta quarta-feira que seja dado um limite e penalidades para aqueles que divulgam as chamadas fake news. Em conversa com a imprensa no Senado, Eunício lamentou que ferramentas importantes, como WhatsApp e Facebook, estejam sendo utilizadas nessas eleições para difundir fake news. "É um instrumento, uma ferramenta importante, mas nós temos de ter limite e penalidade para aqueles que fazem fake news e não notícia", disse.

Eunício comentou que ele mesmo, durante a campanha eleitoral, chegou a ganhar quatro ou cinco direitos de resposta em razão de notícias falsas veiculadas por adversários. Questionado se considerava ter sido prejudicado por fake news nessas eleições, o presidente do Senado negou. "Fui prejudicado por outras coisas", limitou-se a responder, sem dar mais detalhes. 

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