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Reformas distanciam países ricos de pobres

Crescimento econômico do mundo emergente não elevou o padrão de vida de seus habitantes

Economist.com, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2014 | 02h05

Se o século 20 pertencesse aos países da América do Norte e Europa, o século 21 seria a era dos países em desenvolvimento. Desde 2000, crescimento econômico e novos mercados consumidores caracterizam esse mundo emergente - cujas maiores nações, como a China, chegam a crescer 10% ao ano. O crescimento contínuo com taxas como essa levaria o mundo emergente a uma "convergência" com os países mais ricos, o que por sua vez significaria um aumento nos padrões de vida dessas populações e um deslocamento do poder político e econômico global.

Essas perspectivas, contudo, parecem agora mais distantes. As taxas de crescimento desses países estão em queda; Brasil e Rússia entraram em recessão. Como resultado, o índice de convergência entre mais pobres e mais ricos caiu a quase zero. Que fatores são responsáveis pela perspectiva de convergência, e por que ela retrocedeu?

Ao comparar a renda entre os países, a maioria dos economistas utiliza o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, ajustado à paridade do poder de compra (PPC). O PIB em paridade ao PPC é cerca de US$ 53 mil nos Estados Unidos, US$ 36 mil na Grã-Bretanha, US$ 12 mil na China e US$ 1,3 mil na Etiópia.

As disparidades há tempos intrigam os economistas. Países pobres deveriam ser capazes de aprender com o os mais ricos e deles emprestar tecnologia para produzir mais e elevar a renda. Mas, entre as décadas de 1940 e 1990, os países pobres cresceram mais lentamente que os ricos, ficando ainda mais atrás em termos de renda. Apenas alguns poucos afortunados - como Coreia do Sul e Cingapura - passaram de país pobre a país rico nesse período. No fim dos anos 1990, uma surpresa: vários países cresceram nesse sentido.

Nos últimos 15 anos, o PIB da maioria dos emergentes cresceu mais que o dos países ricos, levando à convergência entre os dois mundos. Muitas economias tiveram bom desempenho ao adotar as recomendações dos economistas para ativar o crescimento: abertura da economia, reformulação das leis para tornar-se mais atrativo aos investidores, investimentos em infraestrutura e educação. E, em geral, essa convergência funcionava de acordo com as previsões dos economistas.

Na China, a fabricação de produtos baratos para exportação às vezes também envolvia a produção de mercadorias e serviços mais sofisticados, à medida que os trabalhadores e as empresas acumulavam conhecimento e experiência. De 2000 a 2009, as taxas de crescimento das economias em desenvolvimento estavam em média 4 pontos porcentuais acima dos índices de países ricos, o que aumentou de um terço para quase metade a participação desses países na economia mundial.

Obstáculos. As forças que levaram a essa convergência agora atuam como obstáculos no crescimento de economias emergentes. O comércio global cresceu duas vezes mais rápido que a produção no início dos anos 2000, mas atualmente enfrenta dificuldades para manter esse ritmo. O PIB de algumas economias se manteve com o aumento das commodities, que agora estagnaram ou começaram a cair.

O elemento mais importante do processo de alavancada e retrocesso da convergência entre países pobres e ricos talvez seja a expansão do comércio voltado à cadeia logística. Ele permitiu às economias mais pobres se tornarem fortes exportadores a partir da importação de componentes mais complexos (como chips de computadores).

Apesar de ter proporcionado rápido crescimento para esses países, a cadeia logística não contribui muito para o desenvolvimento tecnológico local. Com a queda do comércio e dos preços das commodities, as economias em desenvolvimento enfrentam dificuldades para recuperar o sucesso do passado. O fim da era da rápida convergência pode significar que os países em desenvolvimento precisam de mais reformas econômica e investimentos em educação para alcançar os mais ricos. / TRADUÇÃO DE LIVIA ALMENDARY

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