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Refrigerante: sem gás ou borbulhante? Coca-Cola e PepsiCo sofrem com dólar forte

Lucros das fabricantes de refrigerantes caem em função do câmbio, mas investidores não se assustam

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13 Fevereiro 2015 | 17h46


É sabido pelos cientistas que os refrigerantes fazem mal para a saúde. Eles contribuem para a obesidade, enfraquecem os dentes e são cheios de açúcar. Agora, alguns analistas dizem que os refrigerantes também fazem mal para o bolso - das empresas que os fabricam. No dia 10 de fevereiro, a Coca-Cola anunciou que seus lucros tiveram queda de 55% no quarto trimestre de 2014. No dia seguinte, a PepsiCo, concorrente da Coca-Cola, revelou que teve desempenho marginalmente superior, com queda de 25% nos lucros.

Muitos comentaristas apontam para a queda nas vendas de refrigerantes na América do Norte como responsável pelos problemas de Coca-Cola e PepsiCo, conforme os consumidores passam a se interessar mais por alimentos e bebidas saudáveis. De fato, as vendas de suas principais marcas de refrigerantes apresentaram queda constante no decorrer da década mais recente. Mas, por si, isso não explica os problemas atuais das empresas. Em termos de volume, as vendas da Coca-Cola começaram a aumentar no ano passado, e a renda proveniente de refrigerantes agora está aumentando em ambas as empresas graças à crescente popularidade das latas menores (e mais caras).

Como tantas outras multinacionais americanas, Coca-Cola e PepsiCo estão sofrendo com o fortalecimento do dólar. A Coca-Cola obtém 75% de sua renda fora dos EUA, e a PepsiCo, 42%, mas essas vendas passaram agora a valer menos em termos de dólares, pois as demais moedas enfraqueceram em relação à americana. Ao mesmo tempo, muitos de seus custos estão aumentando com o dólar, o que produz uma pressão nos lucros. Isso ajuda a explicar por que a PepsiCo está tão mal, embora nem tanto quanto a Coca-Cola, apesar de seus investimentos em produtos mais saudáveis como o suco de laranja Tropicana e os cereais matinais Quaker Oats.

Mas, deixando de lado os problemas cambiais e o encolhimento do mercado de bebidas gaseificadas, muitos investidores ainda enxergam as duas empresas como bons investimentos. Warren Buffett, por exemplo, disse que as manufaturas que usam açúcar como matéria prima são um "segmento dos sonhos" - por sua capacidade de vender produtos viciantes sem temer regulamentação e taxação na mesma escala enfrentada pelas indústrias do álcool e do tabaco. Não surpreende que a firma de Buffett, Berkshire Hathaway, ainda seja proprietária de aproximadamente 9% das ações da Coca-Cola apesar dos problemas atuais da empresa. Por mais que seja uma aposta para o longo prazo, o resultado final pode deixar um sabor doce na boca.


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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

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