Região Sudeste continua a ser a locomotiva econômica do Brasil

Apesar dos gargalos, melhor infraestrutura e aglomeração de empresas e serviços beneficiam a região

Danielle Villela e Thiago Mattos, de O Estado de S. Paulo,

13 Novembro 2013 | 15h56

SÃO PAULO - Mesmo com um avanço mais lento em relação às demais regiões brasileiras nos últimos anos, a economia do Sudeste ainda é a locomotiva do País. Juntos, seus quatro Estados detêm 55,4% do PIB - participação superior à soma de todas as outras regiões. Foram R$ 2,1 bilhões em riquezas produzidas pelo Sudeste em 2010, segundo dados das Contas Nacionais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas o Estado de São Paulo foi responsável por R$ 1,2 bilhão dessa produção, o equivalente a 33,1% do PIB nacional. "As melhores empresas e os melhores profissionais de todo Brasil são atraídos pelos potenciais de mercado e as oportunidades de rendimento de São Paulo", afirma Carlos Alberto Azzoni, professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA-USP), que relaciona a concentração econômica com a competitividade da região.

De acordo com o IBGE, o Sudeste reúne 42% da população brasileira, tem três dos Estados mais populosos e deve continuar atraindo a maior parte dos imigrantes de outras regiões até 2030. Além disso, parte de um crescente nicho de serviços sofisticados se concentra especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, onde a oferta de serviços de saúde, educação e comércio de luxo estão em alta.

Tamanha aglomeração se explica pela melhor infraestrutura da região. "O Sudeste tem os melhores indicadores de saneamento, o melhor parque universitário e foi a região que mais se beneficiou pelo crescimento do emprego formal", diz Haroldo Torres, diretor da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

Gargalos. Se por um lado a indústria, o comércio e os serviços no Sudeste têm vantagens como melhor infraestrutura de estradas e telecomunicações e mão de obra mais qualificada, por outro, a região paga um custo que se reverte em salários muito elevados, uma forte estrutura tributária, congestionamentos e poluição.

"O saldo é positivo para a região, mas uma distribuição mais equitativa das atividades em outras cidades maiores seria melhor para o Brasil", afirma Torres.

Embora a região ainda mantenha sua vantagem competitiva, também se prejudica por atrasos que afetam todo o País. "O grande gargalo da economia brasileira é o fragmentado arcabouço institucional, que não honra contratos porque não tem uma autoridade para tanto. Como o Sudeste tem mais negócios, os problemas são mais agudos aqui", diz Azzoni, da USP.

Entre 2002 e 2010, o PIB da região cresceu 149%, mesmo porcentual da Região Sul, mas em ritmo mais lento que Norte (191%), Centro-Oeste (170%) e Nordeste (165%). O Sudeste também perdeu 1,3 ponto porcentual em participação no PIB nacional no mesmo período, uma redução mais acentuada do que a Região Sul, que recuou 0,4 ponto porcentual, enquanto todas as demais regiões conseguiram ampliar sua importância na economia.

Para Torres, esse movimento faz parte do novo padrão de crescimento do Brasil nos últimos dez anos. "A forte apreciação cambial teve efeitos negativos nas regiões mais industrializadas, ao passo que o processo de distribuição de renda, com aumento do salário mínimo acima da inflação e os programas de distribuição de renda fizeram com que as regiões mais pobres tivessem um avanço diferenciado."

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