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Regime de bandas uruguaio não sobreviveria à pressão

Duramente contagiado pela crise argentina, o Uruguai decidiu modificar sua política cambial e começa a adotar, a partir de hoje, o regime de livre flutuação do dólar. O ministro de Economia, Alberto Bensión, anunciou também que as intervenções Banco Central do Uruguai (BCU) no mercado de câmbio serão limitadas. Ontem (quarta-feira), o Centro de Investigações Econômicas (Cinve), um dos mais prestigiados institutos do país, estimou em um informe que o governo do presidente Jorge Batlle seria obrigado a modificar a política cambial do país, já que o regime de bandas dificilmente sobreviveria com a forte pressão que vinha sofrendo o peso.De acordo com os economistas do Cinve, as condições internas eram insustentáveis dentro do esquema atual de política macroeconômica, não só pelo nível baixo das reservas internacionais - que caíram 53,9% desde o início do ano, passando de US$ 2,926 bilhões para US$ 1,35 bilhão -, como pela impossibilidade de o governo conseguir processar um ajuste fiscal para cortar gastos públicos excessivos. Tanto um como outro implicaria não cumprir com as metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que poderia retirar seu apoio ao Uruguai.De acordo com o Cinve, se o governo tivesse insistido em manter o regime de bandas, com variação média de 9%, a desvalorização do peso este ano chegaria a pelo menos 42%. Com isso, a inflação poderia chegar a 10,8% e os preços médios despencariam cerca de 30%.Queda de 6,4% no PIBO Cinve estimou também em seu informe que o PIB uruguaio este ano deve despencar 6,4%. No primeiro trimestre, a economia do país encolheu 10,1%, em relação ao mesmo período do ano passado, colocando o PIB uruguaio em uma queda vertiginosa a partir de janeiro de 2000, quando mostrou a sua última expansão (menos de 0,3%). Em comparação com o trimestre imediatamente anterior (outubro a dezembro de 2001), a economia uruguaia se retraiu 3,6%.O informe do Cinve estima que, no segundo trimestre, o PIB uruguaio deve cair 4,5%; no terceiro trimestre, 3,8%; e, no último, 6,8%. A recessão enfrentada pelos uruguaios desde o quarto trimestre de 1998 é comparada apenas à queda do PIB verificada no início da década de 80, quando a economia encolheu 18,7%. Desde final de 1998, o PIB uruguaio já caiu 19,2%. O comércio, restaurantes e hotéis tiveram o pior desempenho dos últimos anos. A queda nesse setor foi de 20%, por causa da pouca entrada de turistas, principalmente argentinos.A brutal queda do PIB no começo deste ano deixou o governo Batlle em situação extremamente complicada com o FMI, já que a carta de intenções recentemente assinada prevê este ano uma expansão do PIB de 1,75%. Isso significaria que, para atingir essa meta, a economia uruguaia teria de apresentar uma forte reação no segundo semestre.Perda de reservasA perda constante de reservas internacionais levou o governo uruguaio a pedir socorro às instituições multilaterais de financiamento, que, ao contrário da renitência em relação à Argentina, decidiram liberar recursos para assegurar a solvência das contas públicas (financiamento do déficit fiscal) e para honrar compromissos de sua dívida pública do país, deste e do próximo ano.O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), deve liberar US$ 500 milhões. Esses recursos devem somar-se a uma ajuda adicional de US$ 1,5 bilhão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o biênio 2002/2003 anunciado na semana de Corpus Christi, a US$ 600 milhões de um outro programa aprovado pelo FMI em março e, provavelmente, a US$ 110 milhões do Banco Mundial (Bird). Esses montantes de pouco mais de US$ 2,7 bilhões deve servir também para fortalecer o sistema financeiro uruguaio, que vem sendo submetido a fortes pressões do mercado, e para recompor as reservas líquidas do BCU, que derreteram nos últimos cinco meses.

Agencia Estado,

20 de junho de 2002 | 12h11

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