Regiões industrializadas sofrem mais com a crise

PIB brasileiro recuou 0,3% entre 2008 e 2009, mas caiu ainda mais nos Estados com maior industrialização e produtores de commodities minerais

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h04

A crise global afetou o desempenho da atividade econômica dos principais Estados industrializados em 2009, de acordo com as 'Contas Regionais do Brasil - 2005/2009' divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve prejuízo, sobretudo, nas regiões mais dependentes da indústria da transformação e da atividade extrativa, mas também da agropecuária por causa da demanda enfraquecida.

Entre 2008 e 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) do País caiu 0,3%. Porém, recuou ainda mais nas economias do Espírito Santo (6,7%), Minas Gerais (4%), Pará (3,2%), Amazonas (2%), Maranhão (1,7%), Paraná (1,3%), São Paulo (0,8%), Bahia (0,6%) e Rio Grande do Sul (0,4%).

"Os mais prejudicados (pela crise) foram justamente os Estados mais industrializados e os produtores de commodities minerais. Na verdade, os Estados menos afetados foram aqueles em que o peso do setor de serviços é maior", ressaltou Frederico Cunha, gerente de Contas Nacionais do IBGE.

Além do bom desempenho dos serviços, as atividades relacionadas à administração pública, infraestrutura e programas de transferência de renda também impulsionaram o resultado de Estados que contribuem pouco para o PIB nacional. Rondônia teve a maior expansão em 2009, de 7,3%, mas tem apenas 0,6% do PIB brasileiro.

O crescimento extraordinário foi puxado por obras de construção de usinas hidrelétricas. Também registraram expansões consideráveis Piauí (6,2%), Roraima (4,6%), Sergipe (4,4%), Distrito Federal (4%), Amapá (4%) e Tocantins (3,8%). No caso do Distrito Federal, que tem fatia um pouco maior no PIB brasileiro, de 4,1%, a expansão foi sustentada pela administração pública. "Geralmente, os Estados que têm a administração pública com peso forte na economia também se ressentem menos na crise", disse o coordenador do IBGE.

As Regiões Nordeste e Centro-Oeste aumentaram suas participações no PIB brasileiro em 0,4 ponto porcentual cada uma. Já a fatia do Sudeste continuou caindo, com recuo de 0,7 ponto porcentual no período, enquanto Norte e Sul tiveram leve queda, de 0,1 ponto porcentual cada. "Ainda assim qualificamos a economia brasileira como altamente concentrada", disse Cunha.

Apenas oito Estados foram responsáveis por 78,1% do PIB nacional em 2009. A economia de São Paulo, embora com pequena retração, permanece com a maior participação, de 33,5%, o equivalente a mais de R$ 1 trilhão. O Piauí teve o menor PIB per capita brasileiro, de R$ 6.051,10 por habitante, bem abaixo da média nacional, de R$ 16.917,66. A região com maior PIB per capita em 2009 foi o Distrito Federal, de R$ 50.438,46.

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