Regulação deve afetar fluxo para emergentes

Especialista espera queda no volume de recursos no curto prazo

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

O aperto da regulação do sistema financeiro dos Estados Unidos atingirá outros países, entre eles o Brasil. Os efeitos potenciais ainda estão sendo analisados por consultorias e pelas próprias empresas que atuam no setor, mas já é possível afirmar que, no curto prazo, o fluxo de capitais para mercados emergentes deverá ser afetado. "Diversas instituições americanas que cumpriam menos exigências por não estarem sob supervisão do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) operam nos mercados globais", disse o sócio-líder de serviços financeiros da consultoria KPMG, Ricardo Anhesini. "Agora, precisarão de um tempo para se adaptar ao ambiente mais regulado, o que influenciará o volume dos fluxos de capitais para países como o Brasil." Entre as instituições citadas por ele estão fundos hedge (os mais arriscados do mercado), companhias de private equity (que investem seu capital em outras empresas) e distribuidores de produtos financeiros. "Essas organizações serão empurradas para dentro do ambiente regulado e isso vai afetá-las." Para ele, que tudo o que aumenta a regulação "é saudável, mas traz custos adicionais".Na avaliação do especialista, bancos que tenham entre seus parceiros as companhias que antes não eram regulamentadas também serão atingidos pela nova legislação. Até agora, lembra Anhesini, o sistema regulatório americano era muito descentralizado e excluía empresas que, oficialmente, não eram financeiras, mas, na prática, atuavam no setor. "Por isso, havia uma concorrência desproporcional", observa. HISTÓRICO O cenário de hoje lembra aquele que se seguiu à implementação da Lei Sarbanes-Oxley, em 2002. O objetivo principal daquela lei era melhorar os mecanismos de auditoria nos Estados Unidos após os escândalos contábeis que culminaram com a quebra da Enron e da MCI. Várias companhias estrangeiras com atuação no mercado americano tiveram de se adaptar aos novos padrões. Foi o caso, por exemplo, das empresas brasileiras com ações negociadas na Bolsa de Nova York.

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