Regulação é empecilho em negociações agrícolas do G20

O apelo francês por regulação mais severa aos mercados de commodities provou ser um grande empecilho para as conversações agrícolas do G20 nesta quarta-feira, grupo que concordou em compartilhar dados agrícolas visando limitar a volatilidade dos preços de alimentos.

MARIE MAITRE E SYBILLE DE LA HAMAIDE, REUTERS

22 de junho de 2011 | 17h26

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, busca convencer os ministros da Agricultura do Grupo das 20 principais economias sobre a necessidade de regras mais rígidas aos mercados na abertura do primeiro encontro do G20 sobre o assunto.

Até o momento, os ministros chegaram a um consenso sobre algumas propostas elencadas pela presidência francesa do G20, tais como iniciativas de divulgação de dados, disseram à Reuters fontes próximas das negociações que serão concluídas na quinta-feira.

"Um mercado que não é regulado não é um mercado, mas uma loteria onde a fortuna favorece aqueles mais cínicos em vez de premiar o trabalho, o invesimento e a criação de valor", disse Sarkozy aos ministros no palácio presidencial Elysee.

"Reinvestimento, transparência, coordenação, regulação: estas são as palavras-chave do plano de ação que vocês desenvolveram com (ministro da Agricultura francês) Bruno Le Marie. Eu espero que sejamos capazes de aprová-lo amanhã (quinta-feira)".

Paris tem como prioridade de sua presidência no G20 a adoção de regras mais rígidas no mercado de commodities, mas parceiros como a Grã-Bretanha mantêm oposição a controles mais estritos.

"A questão da especulação é uma em que a unanimidade não existe", disse a secretária de Agricultura britânica, Caroline Spelman, a repórteres em Paris antes do encontro do G20.

"Acredito que não é óbvio que esta seja a principal razão da volatilidade dos preços. Eu acredito que é principalmente por causa da oferta e demanda, então na verdade temos que endereçar aos fundamentos no mercado se quisermos atingir preços estáveis", disse ela.

Os ministros de Finanças estão em melhor posição para trabalhar com assuntos ligados à regulação do mercado, acrescentou ela.

NEGOCIAÇÕES SERÃO RETOMADAS

A França também enfrenta oposição em sua agenda agrícola do Brasil e Argentina, proponentes de resposta às tensões via produção, e a relutância de países como China e Índia para dividir seus dados agrícolas.

"O único mecanismo que existe para reduzir os preços é ampliar a oferta de alimentos", disse o ministro do Brasil, Wagner Rossi, de acordo com comunicado nesta quarta-feira.

Rossi declarou ainda que o Brasil quer discutir a agenda apresentada pelo governo francês.

"Estamos dispostos a ampliar a nossa participação na oferta de alimentos, em condições justas, mas sem imposição de barreiras", comentou.

Ele opiniou também que, mesmo o tema da regulação financeira, deveria ser discutido.

"Não se deve deixar pontas soltas porque uma financeirização das commodities pode gerar especulação", disse.

Mas o tema regulação, segundo uma fonte ouvida pela Reuters, ficará para mais tarde.

"Regulação financeira é a única coisa deixada para ser discutida", disse uma fonte. "Isso é para ser discutido após o jantar."

(Reportagem adicional de Helen Popper, Buenos Aires; Aleksandras Budrys, de Moscow; Marion Douet e Camila Reed, deParis; Texto de Gus Trompiz)

Tudo o que sabemos sobre:
COMMODSG20REUNIAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.