''Regulação não evitará crises''

Greenspan põe em dúvida eficácia de criação de órgão

, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

Por décadas defensor do livre mercado, Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que estava à frente da instituição no nascimento da bolha imobiliária, pôs em dúvida a capacidade de um regulador de risco antecipar futuras crises financeiras. "Certamente, não é da competência de um regulador do sistema financeiro a tarefa de determinar quando será a próxima crise financeira", disse ontem após discurso no American Enterprise Institute. "O risco de um colapso em todo o sistema é uma característica inevitável das economias de mercado", disse Greenspan. Os comentários do ex-presidente do Fed surgem no momento em que o governo do presidente Barack Obama e os congressistas estudam designar um único órgão regulador para monitorar o sistema financeiro, restringir o risco e intervir, se necessário. O secretário do Departamento do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, lançou a ideia neste ano, sem determinar qual órgão seria encarregado da tarefa. Os apoiadores da ideia esperam que a regulação evite choques sistêmicos e uma repetição da crise iniciada no ano passado. Alguns defendem a entrega da tarefa para o Fed. Greenspan, no entanto, jogou um balde de água fria sobre a proposta. "Não contem com a capacidade dos reguladores para prever o futuro, porque eles não podem fazer isso", ao menos não adequadamente, disse.Ele identificou outro problema na abordagem de um órgão regulador: a noção de que certas instituições financeiras são grandes demais para falir. Segundo ele, essa noção "congela o capital injetado e mina a destruição criativa, que é o principal meio pelo qual a produção e o nível de vida se elevam". O conceito de "destruição criativa", do economista austríaco Joseph Schumpeter, seria a força motriz do crescimento econômico, à medida que antigos modelos dão lugar aos novos. Greenspan ofereceu duas alternativas para essa abordagem. Uma seria um movimento de megabancos para bancos menores e outro, a volta para bancos de investimento estruturados como sociedades, e não como companhias públicas. AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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