'Rei da soja' na Argentina promete voltar em breve ao País

Depois de vender o controle da brasileira Ceagro para os japoneses da Mitsubishi Corporation na semana passada, o empresário Gustavo Grobocopatel afirma que terá uma nova empresa no Brasil

ARIEL PALACIOS , MARINA GUIMARÃES , CORRESPONDENTES / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2013 | 02h05

O grupo argentino Los Grobo confirmou oficialmente a venda de sua participação na brasileira Ceagro para a japonesa Mitsubishi Corporation. A Ceagro produz um milhão de toneladas de grãos e fatura US$ 600 milhões. A Mitsubishi havia entrado na Ceagro no ano passado, ao adquirir 20% das ações. Mas, com esta operação, a empresa japonesa passa a deter 80% do pacote acionário.

Desta forma, a Los Grobo, comandada por Gustavo Grobocopatel, conhecido como o "rei da soja" na Argentina, reduz sua presença em território brasileiro a um moinho e uma empresa de distribuição de farinhas e massas. Ele afirma que a Ceagro, nos últimos cinco anos multiplicou seu tamanho por dez e que a Mistsubishi ofereceu uma "oportunidade inesperada" com a proposta de compra.

Apesar de ter vendido seu maior negócio no País, o grupo pretende voltar a ampliar sua presença no mercado brasileiro, conforme indicou Horacio Busanello, presidente da Los Grobo. Segundo ele, o grupo criará uma nova empresa no País para atuar em plantio e em outros projetos. Grobocopatel confirma: "voltaremos em breve".

"Nossa visão é de que Los Grobo tenha uma participação relevante de negócios no Brasil, como plataforma das operações na América Latina", afirmou o empresário sem entrar em detalhes. "Para mim, o Brasil é o máximo. Em cinco anos criamos uma companhia cujo faturamento passou de R$ 100 milhões a US$ 1 bilhão."

De forma quase simultânea à venda da Ceagro, a Los Grobo anunciou a compra na Argentina da Agrofina, empresa da área de produtos agroquímicos.

A aquisição é parte de um plano de US$ 77 milhões que inclui a produção de fitossanitários, biopesticidas naturais e três fábricas de processamento de sementes. Segundo Grobocopatel, este plano "diversifica o modelo de negócios, para estar mais próximo da tecnologia".

Estratégia. A retirada de parte dos investimentos no Brasil e a compra da nova empresa no país de origem, segundo o empresário, "é uma decisão estratégica, que reconfigura o grupo na Argentina".

Os diretores sustentam que o plano é transformar a Los Grobo em uma empresa que vá além da produção agrícola, aumentando os investimentos em produtos de alto valor agregado. Essa tendência havia ficado clara nos últimos anos, quando o grupo reduziu em um terço sua área de plantio na Argentina. Com receita de US$ 1 bilhão em 2012, a Los Grobo é um dos maiores grupos econômicos do país vizinho. Do faturamento total, 40% foi gerado com seus investimentos no Brasil; 37%, na Argentina e o restante no Uruguai.

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