Rei Juan Carlos se desculpa por caçar na África

Os espanhóis se depararam ontem com um inédito pedido público de desculpas do rei Juan Carlos. O episódio coroou uma semana de "inferno astral" da Espanha, que foi surpreendida na segunda-feira com o anúncio da presidente argentina, Cristina Kirchner, de expropriação da petroleira YPF da espanhola Repsol. O anúncio foi feito no mesmo dia em que o rei foi manchete dos jornais espanhóis com a notícia de que estivera caçando elefantes na África, em meio à crise com a Argentina e à disparada da curva de risco do país.

KARLA MENDES , ESPECIAL PARA O ESTADO / MADRI, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h05

"Sinto muito. Me equivoquei e isso não voltará a ocorrer", afirmou o monarca. A declaração foi feita por Juan Carlos ao deixar ontem o hospital no qual estava internado desde sábado para tratar-se de uma fratura no quadril, depois de um escorregão no quarto do hotel onde estava hospedado em Botsuana, na África. O pedido de desculpas do rei foi um gesto sem precedentes, pois nunca antes na monarquia espanhola um rei havia comentado sua vida particular em público, muito menos pedido desculpas a seus súditos.

Juan Carlos teve de quebrar o protocolo, sobretudo depois de a própria Cristina Kirchner ter ironizado a ausência do rei da Espanha durante o anúncio de nacionalização da YPF, ao dizer que a queda das reservas de petróleo na Argentina "segue a curva da tromba de um elefante".

As críticas dos partidos de oposição e a revolta da população e de órgãos de defesa dos animais - o rei é secretário da ONG ambientalista WWF na Espanha - pesaram na decisão. O agravamento da crise também foi um ingrediente fundamental, pois deixou a população e até mesmo a imprensa em posição de ataque ao monarca.

A aceleração da curva de risco da Espanha, que bateu o recorde de 433 pontos na semana passada e acumula alta de 33% no ano, é um reflexo da desconfiança dos investidores no país. A Espanha tem a mais alta taxa de desemprego da União Europeia: 23,6%, o que representa mais de 5 milhões de pessoas.

E as perspectivas não são nada animadoras. Segundo o informe Perspectivas Econômicas Mundiais, divulgado ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o desemprego deve atingir 24,2% até o fim do ano, seguido de uma queda de 1,8% no Produto Interno Bruto (PIB).

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