R&I Ratings aproxima o Brasil do nível de investimento seguro

O Brasil está a apenas um passo de entrar para o clube dos países seguros para o investimento estrangeiro. Na quinta-feira, a agência R&I Ratings anunciou uma melhora na classificação de risco do Brasil, que passou de BB- para BB+, com perspectiva estável. Segundo o Tesouro, essa elevação colocou o País a um nível do chamado "grau de investimento", onde são enquadrados os países mais confiáveis. "Esta condição é inédita desde que o Brasil concluiu a renegociação da sua dívida externa em 1994", afirma o Tesouro. Nas agências de classificação de risco mais conhecidas, como Fitch e Standard and Poors, porém, o Brasil está dois níveis abaixo do grau de investimento. Em outra agência, a Moody?s, o País ainda precisa avançar três degraus para deixar o clube dos destinos "especulativos" para o investimento. A expectativa da área econômica do governo, porém, é que o País atinja o grau de investimento já no ano que vem, uma vez passado o processo eleitoral. Os fundamentos da economia brasileira, na avaliação dos técnicos, justificam uma classificação melhor para o País. O ex-secretário do Tesouro Nacional Joaquim Levy chegou a divulgar um levantamento mostrando que países com indicadores econômicos piores do que os brasileiros tinham classificações melhores do que o Brasil. Por isso, acreditam os técnicos, a melhora do rating brasileiro é plausível. Para o Tesouro, a avaliação da R&I Ratings contribui para formar um quadro positivo para o Brasil. "Não só por se ter alcançado o seu melhor nível histórico de classificação, mas também pela tendência que se pode perceber entre a maioria das agências contratadas em reconhecer os avanços obtidos", avalia o Tesouro. Em comunicado divulgado nesta, o Tesouro afirma ainda que a R&I, em seu relatório, ressaltou os importantes avanços nos fundamentos econômicos do País como justificativa para a elevação na classificação de risco. A agência destacou no plano doméstico o crescimento do consumo individual e a redução das taxas de juros, que tiveram efeitos positivos sobre os investimentos em capital. No plano externo, mudanças estruturais nas exportações de bens manufaturados - que têm adquirido cada vez mais competitividade no mercado internacional - somadas à forte demanda por produtos primários também pesaram a favor do Brasil. Esses dois resultaram na manutenção de grandes superávits em conta corrente. Adicionalmente, notou a agência, o investimento estrangeiro direto continua em patamares elevados, acompanhando a melhora geral no Balanço de Pagamentos. A agência, diz o Tesouro, destaca também progressos recentes no gerenciamento da dívida, os progressos recentes, como a antecipação do pagamento da dívida externa - incluindo FMI e Clube de Paris. "O relatório destaca que entre 2002 e 2005, a dívida externa total (pública e privada) com relação ao PIB caiu de 45,9% para 21,3% e cita ainda os avanços obtidos na diminuição da parcela da dívida interna pós-fixada e da atrelada ao câmbio", afirma o comunicado do Tesouro.

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