finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Reino Unido anuncia venda dos correios

Em reação, os trabalhadores vaiam a presidente do Royal Mail e já existe uma ameaça de greve

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE , O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2013 | 02h17

LONDRES - Orgulho dos britânicos e intocável até mesmo pela dama de ferro Margaret Thatcher, o serviço de correios do Reino Unido será privatizado. Após meses de estudo e mesmo com a pressão de vários setores da sociedade, o governo do primeiro-ministro David Cameron anunciou que pretende vender parte das ações do Royal Mail nas próximas semanas.

A reação veio rapidamente: trabalhadores vaiaram a presidente da empresa, que tentou explicar a operação, e já há ameaça de greve.

Com o argumento de que é preciso atrair novos acionistas para modernizar a empresa de 497 anos e prepará-la para o futuro, o governo conservador de Cameron anunciou ontem o plano para oferecer parte da empresa ao capital privado.

"A decisão assegurará o futuro saudável da companhia. Essa medida ajudará a assegurar a sustentabilidade do Royal Mail no longo prazo", defendeu o secretário de negócios do governo inglês, Vince Cable. Esse é o mais ambicioso plano de privatização no país desde os anos 90.

Negociação. O governo ainda não anunciou qual parcela será oferecida ao mercado. A imprensa britânica afirma que Cameron poderia negociar até 41% do capital da companhia. Além disso, será oferecida parcela de 10% da empresa aos 150 mil funcionários dos correios.

Se os números forem confirmados, o contribuinte inglês poderia deixar de ser dono do Royal Mail, já que até 51% do capital da empresa trocaria de mãos. Analistas avaliam que a empresa vale cerca de 3 bilhões de libras (R$ 10 bilhões).

Os correios sempre foram considerados um tabu quando o assunto é privatização no Reino Unido. Nos anos 80, quando o país viveu um dos mais intensos processos de privatização da história, o governo Thatcher vendeu a British Gas, a British Airways e a British Telecom, entre outras estatais. A dama de ferro, porém, não tocou nos serviços postais porque, se a privatização já era um tema polêmico, a venda do Royal Mail era ainda mais sensível.

Qualidade. Entre os britânicos, há o temor de que a venda prejudique a qualidade. Eles se orgulham de ter um serviço confiável que passa seis vezes por semana na porta de todos os endereços e cobra preço único para a postagem nacional.

Segundo Cable, mesmo privatizado, os correios manterão os serviços de seis dias por semana e o preço único.

As explicações, porém, não foram suficientes e a reação mais forte veio dos cerca de 150 mil empregados, que consideram entrar em greve nas próximas semanas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.