Reino Unido fica desapontado com reunião da OMC

Em seu primeiro discurso após assumir as Relações Exteriores do Reino Unido, a ministra Margaret Beckett disse ter ficado desapontada com o resultado da última reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir a Rodada de Doha e afirmou que o Reino Unido está disposto a tudo para que, até o fim do mês, as questões centrais da discussão estejam resolvidas. Para ela, a Rodada de Doha deve ser concluída até o final do ano."Estou profundamente desapontada ao saber, no último sábado, que a reunião ministerial da OMC, em Genebra, foi encerrada sem que se atingisse um acordo. Não exageram ao dizer que chegamos ao momento crucial para o entendimento, que pode ser medido não em anos ou meses, mas em semanas e dias", disse Margaret, ressaltando que, se os países membros deixarem escapar a oportunidade, "antes que expire o mandato da Autoridade de Promoção do Comércio dos Estados Unidos, provavelmente podemos esquecer qualquer esperança de avanço até 2008, na melhor das hipóteses".Para a ministra, a chave para se atingir um acordo é clara: "A União Européia precisa permitir que países mais competitivos tenham maior acesso ao seu mercado agrícola."Por isso, Margaret disse que acolherá a sinalização dada pelo comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, "de que há disposição para que a União Européia se aproxime da posição do G20", de corte na média de 54% dos subsídios agrícolas.Aceitação Para ela, entretanto, o sucesso das negociações da OMC não depende apenas da aceitação pela UE das demandas do G20. "Os Estados Unidos precisam avançar, no que diz respeito ao apoio doméstico à agricultura, que gera graves distorções nos preços mundiais. Países, como a Índia e o Brasil, também precisam agir em relação ao acesso aos mercados industriais. Eu os incito a fazê-lo", afirmou.De acordo com Margaret, as altas tarifas e os subsídios agrícolas reduzem a renda dos países em desenvolvimento em US$ 75 bilhões ao ano, 50% a mais do que essas nações ganham com ajuda externa. "Há inúmeros estudos que trazem estimativas sobre os possíveis ganhos que adviriam de um bom resultado da Rodada de Doha. Para citar apenas um, do Banco Mundial, resultados ambiciosos nas áreas de Agricultura e Produtos Industriais poderiam acrescentar ao comércio mundial aproximadamente US$ 100 bilhões ao ano.Engajamento Segundo a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, o engajamento do Brasil para o sucesso da Rodada de Doha é fundamental, assim como o foi na criação do G20, e necessário, dados os benefícios que o País conseguirá, se houver sucesso na formatação de um acordo. "Na qualidade de maior exportador mundial de soja, aves, carne bovina, açúcar e café, o Brasil só tem a ganhar com a liberalização do setor agrícola. Por outro lado, como a maioria das exportações brasileiras é constituída de produtos manufaturados, o país também seria beneficiado pelo acordo sobre Acesso a Mercados Não-Agrícolas."De acordo com estimativas apresentadas pela ministra, os ganhos de comércio do Brasil poderiam chegar a US$ 300 milhões por ano, com um ganho econômico de US$ 4 bilhões ao ano, ou 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB).A ministra britânica destacou ainda que um fracasso nas negociações da OMC pode gerar conseqüências definitivas sobre as relações de comércio internacional. "Primeiramente, haverá conseqüências para o sistema multilateral. A OMC, um dos principais pilares de tal sistema, ficará abalada. A habilidade da comunidade internacional, de enfrentar desafios globais, será colocada em questão. Poderemos presenciar acordos bilaterais que excluam os países mais pobres. Ou, ainda pior, poderemos testemunhar uma irrupção de protecionismo."Por fim, Margaret ainda disse que discutirá nesta segunda-feira, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maneiras "de dar prosseguimento a sua idéia de um encontro de líderes, à luz das discussões ministeriais em Genebra, neste último final de semana".As declarações da ministra foram dadas durante palestra na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

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