Reino Unido impôs condição

Regras não podem impactar autonomia orçamentária

, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

A criação dos novos organismos de regulação foi uma bandeira do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Ambos haviam defendido as propostas já na Cúpula do G-20 (grupo dos 20 países mais industrializados), em Londres, mas sem sucesso. Até a quinta-feira, o projeto ainda encontrava resistências do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que protege interesses da City de Londres, o maior centro financeiro do continente. O projeto aprovado ontem pelo Conselho Europeu é, em grande parte, inspirado no texto elaborado no primeiro trimestre pelo ex-presidente do Banco da França, Jacques de Larosière, a pedido do Palácio do Eliseu. Suas propostas sistematizavam os apelos por mais regulação financeira, reiterados ironicamente por dois líderes de direita, Sarkozy e Merkel. Brown, líder do Partido Trabalhista, de esquerda, era contrário. Desde quinta-feira, porém, a resistência caiu e uma única imposição foi feita por Londres: a de que os "poderes impositivos" das novas instituições não tenham impacto na autonomia orçamentária de cada país. Brown comemorou a "vitória". "Eu consegui que os contribuintes britânicos sejam plenamente protegidos", afirmou o primeiro-ministro. Sarkozy, porém, tripudiou, definindo a aprovação do projeto como "uma mudança completa na estratégia anglo-saxônica".Desde o governo de Margaret Tatcher, nos anos 80, o governo britânico vinha desregulamentando o sistema financeiro, estimulando o crescimento da City nos moldes de Wall Street. Nesta semana, porém, Brown foi enfraquecido em sua posição depois que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou um novo modelo regulatório. "O projeto norte-americano criou sobre a Europa uma pressão positiva", entende o economista Nicolas Véron. "A aprovação do texto pelo Conselho Europeu revela um enfraquecimento da posição do Reino Unido. Talvez seu poder de veto tenha caído."

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