Reino Unido pede ação conjunta anticrise de socorro a bancos

Primeiro-ministro pede que países sigam exemplo britânico de plano de resgate que prevê até US$ 850 bilhões

Agências internacionais,

10 de outubro de 2008 | 06h33

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu nesta sexta-feira, 10, que outras nações sigam o exemplo de seu país e ofereçam  garantias que ajudem a recapitalizar bancos em dificuldades e, assim, conter a crise nos mercados mundiais. A defesa foi feita em artigo publicado pelo diário The Times. O plano de resgate britânico, anunciado na última quarta-feira, oferece socorro de até 500 bilhões de libras (aproximadamente US$ 850 bilhões) de dinheiro público entre injeções diretas ao sistema e garantias às emissões de dívida dos bancos a médio prazo destinadas a restabelecer a confiança. O plano britânico difere abertamente do anunciado por Washington, que consiste na compra pelo Estado dos chamados "ativos tóxicos" dos bancos locais e que foi fortemente criticado por alguns analistas.  Veja também:EUA estudam garantir dívida bancária e totalidade de depósitosBush receberá ministros do G7 na Casa BrancaComo o mundo reage à crise Reino Unido congela ativos do banco islandês LandsbankiFMI age para garantir crédito a emergentesConfira as medidas já anunciadas pelo BC contra a criseEntenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira Veja como a crise econômica já afetou o Brasil  Brown assinalou que "cada banco em cada país deve cumprir requisitos de capital capazes de inspirar confiança". Mas a liquidez a curto prazo serve apenas para manter em funcionamento o sistema, explicou Brown, que acredita que o importa realmente para o futuro é "abrir os mercados monetários que estiveram fechados ao financiamento a médio prazo por parte do setor privado". Em seu artigo, Brown também defendeu "uma solução global" para um problema que é igualmente global, e explicou que, pessoalmente, jamais imaginou que teria de recorrer à compra pelo Estado de participações nos bancos. O líder trabalhista justificou sua ação, que alguns qualificaram de nacionalização parcial dos bancos, assinalando que a crise obriga a renunciar a "velhos dogmas" e a adotar soluções novas. Na tentativa de acalmar mercados, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, faz pronunciamento nesta sexta-feira, na Casa Branca, às 11h (horário de Brasília). No mesmo esforço, os ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do G-7 (que inclui Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Grã-Bretanha e os EUA),  se reúnem em Washington nesta sexta-feira a partir das 15h e o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, dá entrevista coletiva às 19h45.  Também no sábado, atendendo a um pedido do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, atual presidente do G-20 Financeiro, convocou uma reunião do grupo para discutir os desdobramentos da crise financeira sobre a economia mundial. O G-20 Financeiro é formado por ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais dos 19 países mais ricos mais a União Européia. A  reunião ocorrerá na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, às 18 horas. "Bush vai assegurar ao povo americano que eles podem confiar que as autoridades econômicas estão tomando todas as ações, de forma agressiva, para estabilizar nosso sistema financeiro", disse ontem a porta-voz da Casa Branca Dana Perino. "O Departamento do Tesouro, o Federal Reserve e o FDIC, todos têm os instrumentos necessários para lidar com os problemas que estamos enfrentando", disse Perino. "O Departamento do Tesouro está agindo rapidamente para usar os novos instrumentos para melhorar a liquidez, que está na raiz deste problema. Os americanos devem confiar que todos os esforços estão sendo feitos para estabilizar nossos mercados."  

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